Questão FC316997
Nem que seja apenas por uma questão cronológica: já é tarde demais para se ficar discutindo a validade ou não da informação rock na música brasileira. Há quase 20 anos pelo menos e
Interpretação de Textos (Compreensão)
Com. Org. (IFSP) · 2018
ROCK COM BANANA
Nem que seja apenas por uma questão cronológica: já é tarde demais para se ficar discutindo a validade ou não da informação rock na música brasileira. Há quase 20 anos pelo menos ela transita de maneira constante, misturada e confusa por diversos setores da juventude urbana do Brasil. O mínimo que se poderia fazer, agora, seria tentar entender o fenômeno: que trajeto segue o dado X, informação musical de procedência estrangeira, até ser incorporado ao arsenal de recursos da criação brasileira? Já se fez isso com a polka (ou polca) e schottisch (ou xote) – que, como todos sabem, deram no choro, no maxixe e, em certa medida, no samba. Já se fez também com o jazz (que deu na bossa-nova, se em mais nada). Mas o rock é muito recente. Ou será muito espinhoso, muito constrangedor?
Não há nenhum levantamento sistemático da trajetória do rock por terras brasileiras. Então, é preciso usar os elementos disponíveis: no caso, discos. Vinte anos depois, cada disco que se produz hoje no Brasil contendo algo de rock serve, no mínimo, como base para pesquisas e meditações. Para quem quer entender, é claro!
(BAHIANA, Ana Maria. Nada será como antes: MPB anos 70 – 30 anos depois. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2006).
Segundo Vanoye (2003), há mensagens em que não se percebe a presença do destinador, porque elas são produto de um processo de construção que busca a neutralização intencional do “eu”. Há, porém, mensagens em que o destinador manifesta claramente suas opiniões ou reações relativamente ao conteúdo de que trata; e ainda há aquelas em que a expressão pessoal intervém de maneira dissimulada. Isso considerado, com relação ao texto Rock com banana, podemos afirmar que:
- a autora constrói o seu juízo sobre o rock na música brasileira, por meio da explicitação de sentimentos e reações a respeito desse tema, com expressões valorativas que amiúde ressaltam sua própria posição.
- não há marcas relevantes de apagamento da subjetividade, visto que a autora assume claramente sua atitude em relação ao tema, ainda que faça uso de alguns poucos recursos de atenuação da expressão do “eu”.
- não há marcas de atitude pessoal frente ao tema abordado, haja vista que o texto está inteiramente construído por torneios impessoais, recursos esses responsáveis pelo apagamento da presença do destinador.
- o juízo da autora é frequentemente expresso por mecanismos de apagamento do “eu”, mas percebe-se que há certa atitude pessoal frente ao tema em razão de algumas marcas enunciativas precisas presentes no texto.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa D é correta porque reconhece a coexistência entre um estilo impessoal e sinais claros de posição da autora.
O texto adota mecanismos de apagamento do “eu”: ausência da 1ª pessoa, frases gerais e impessoais ("há quase 20 anos", "é preciso"), e enunciados que privilegiam fatos e procedimentos, o que dá um tom distante e analítico.
Ao mesmo tempo aparecem marcas enunciativas que revelam atitude pessoal: expressões valorativas ("já é tarde demais"), perguntas retóricas ("Ou será muito espinhoso, muito constrangedor?"), e modalizadores/avaliações ("o mínimo que se poderia fazer", "para quem quer entender, é claro!").
Assim, o juízo existe, mas é frequentemente dissimulado por recursos impessoais — exatamente o que descreve a alternativa.
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