Questão FC317001
Leia o poema abaixo para responder a questão. Debussy Para cá, para lá... Para cá, para lá... Um novelozinho de linha... Para cá, para lá... Para cá, para lá... Oscila no ar pela m
Interpretação de Textos (Compreensão)
Com. Org. (IFSP) · 2017
Leia o poema abaixo para responder a questão.
Debussy
Para cá, para lá...
Para cá, para lá...
Um novelozinho de linha...
Para cá, para lá...
Para cá, para lá...
Oscila no ar pela mão de uma criança
(Vem e vai...)
Que delicadamente e quase a adormecer o balança
- Psio... –
Para cá, para lá
Para cá e...
- O novelozinho caiu.
(BANDEIRA, Manuel. Estrela
da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973, p.64)
Das alternativas abaixo, apenas uma se refere ao poema analisado na questão 11. Assinale a alternativa correta:
- O poeta vai acompanhando o movimento pendular de alguma coisa. Os versos, como um metrônomo, têm um ritmo que acompanha o movimento: para cá, para lá.
- O título do poema é o nome do poeta francês Debussy que, ligado aos movimentos simbolista e impressionista, abriu um universo sonoro inteiramente novo, em que a sugestão ocupou o lugar de uma construção temática bem definida.
- O ritmo do décimo verso continua a recriar o ritmo do tempo. O verso seguinte, que mostra o movimento apenas numa direção, significa que a criança dormiu e, portanto, encerrou-se o poema e fugiu da vista do poeta o ser que ele carinhosamente contemplava.
- Depois de ter-nos informado que esse para cá, para lá (contínuo como mostram as reticências) é o movimento de uma criança sendo ninada que brinca com um novelo oscilando no ar, o poeta impede nossa manifestação com um psio, para não acordarmos a criança quase adormecida.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa está correta porque o poema reproduz, na forma, o movimento pendular descrito. A repetição de "Para cá, para lá" funciona como um metrônomo: marca batidas regulares que imitam o vai‑e‑vem do novelo.
Essa anáfora cria ritmo e musicalidade; as reticências e parênteses ("(Vem e vai...)") sugerem pausa e balanço, como se o leitor acompanhasse o compasso do dispositivo. O uso de palavras curtas e de frases fragmentadas reforça a sensação de oscilação.
A imagem concreta — um novelo na mão de uma criança — une conteúdo e forma: o poema não só descreve o movimento como o encena. O final abrupto, com o novelo que cai, interrompe o ritmo, produzindo um efeito de queda que confirma a leitura rítmica apresentada.
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