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Questão FC317021

Notícia publicada no site do O Estado de São Paulo, em 04 de agosto de 2012: Advogados do PT querem proibir a imprensa de usar a palavra "mensalão". Em reunião nesta sexta-feira, 3

Interpretação de Textos (Compreensão)

Com. Org. (IFSP) · 2012

Notícia publicada no site do O Estado de São Paulo, em 04 de agosto de 2012:


Advogados do PT querem proibir a imprensa de usar a palavra "mensalão". Em reunião nesta sexta-feira, 3, em São Paulo, cerca de 30 advogados decidiram que tomarão "providências jurídicas", para que seja utilizada a designação "Ação Penal 470", quando se referir ao suposto pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio político ao governo Lula.


O coordenador jurídico do PT, Marco Aurélio de Carvalho, disse que a palavra "mensalão" exprime juízo de valor pejorativo. Sua principal queixa é contra o uso feito pela TV Globo e pela Globo News, "que muitas vezes escrevem a palavra até em negrito". E completa: "Uma concessão pública não deveria divulgar teses, apenas informações para o público".


A preocupação é com a repercussão do julgamento nas eleições. Primeiro tentarão resolver a situação com a mídia. Se não funcionar, entrarão na Justiça.


Fonte: Disponível em < http://www.estadao.com.br/noticias

/impresso,pt-quer-censurar--termo-mensalaoe- trocar-por-acao-penal-,911044,0.htm> Publicada em 04-08-2-12. Acesso em 05-08-2012


A substituição de “mensalão” por "Ação Penal 470" pretende atenuar o caráter pejorativo do termo. Esse mesmo recurso expressivo foi utilizado no texto Vinte anos: 1992-2012, como se percebe em:

  1. Com Collor presidente, tratou-se a República como coisa própria. Arrecadaram-se fundos, por via de ameaças de PC Farias aos prestadores de serviços à administração.
  2. No mensalão não houve apropriação de numerário por pessoas do núcleo do governo. . Mas se feriu, também, gravemente a República, com o uso de verbas para a compra de votos de deputados mediante a entrega de envelopes recheados em hotéis de Brasília.
  3. As dádivas nada tinham que ver com recursos de campanha, mesmo porque ocorriam em momentos distantes dos pleitos eleitorais, mas sempre às vésperas de votações importantes na Câmara dos Deputados. Fez-se tábula rasa da moralidade político-administrativa.
  4. Em entrevista ao jornal O Globo, referi, à vista dos dados da CPI: "A Casa da Dinda (residência de Collor) não se explica sem PC Farias e este não se explica sem a Casa da Dinda".
  5. Agora, diante da hipótese de eventual condenação de mensaleiros, pretendeu a CUT mobilizar filiados em prol da absolvição, exercendo pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa afirma que não houve apropriação de numerário pelo núcleo do governo, isto é, desvio de recursos para enriquecimento pessoal, mas reconhece dano grave à República pelo uso de verbas para a compra de votos.

Do ponto de vista jurídico, apropriação implica subtrair recursos públicos em benefício próprio (peculato). No caso descrito, a conduta típica foi a destinação de recursos e pagamentos a parlamentares para garantir apoio político, caracterizando corrupção e ofensa à probidade administrativa, mesmo sem enriquecimento direto dos agentes do núcleo.

Os “envelopes recheados” servem como elemento fático que demonstra a negociação de votos: trata‑se de práticas que ferem a moralidade e a legalidade administrativas e comprometem a legitimidade do processo democrático.

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