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Questão FC326742

Leia o Texto 1 com atenção e, com base nele, responda a questão. TEXTO 1 Por que enviamos nossas crianças e jovens à escola? Hoje, não temos uma única resposta para essa questão, m

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

IBGP · 2016

Leia o Texto 1 com atenção e, com base nele, responda a questão.

 

TEXTO 1

 

Por que enviamos nossas crianças e jovens à escola? Hoje, não temos uma única resposta para essa questão, mas várias, e muitas delas não têm relação direta com a função original da educação escolar.

 

Enviamos as crianças à escola porque é obrigatório: o Estatuto da Criança e do Adolescente assim o determina. Mas, acima de ser obrigatório, é um direito dos mais novos aprenderem a ler o mundo pelo conhecimento sistematizado, e é na escola que eles terão essa oportunidade.

 

Com o estilo de vida corrido que adotamos, com o caos do trânsito que torna os trajetos muito mais longos e com a pressão do trabalho, muitos pais enviam seus filhos à escola para que eles sejam cuidados em um ambiente que consideram salutar. É por esse motivo que cresceram a oferta da escola em período integral e a programação nas férias dos alunos. Assim, a escola passou a ser também um espaço para acolher os mais novos.

 

Com a pressão social sobre os pais para a preparação dos filhos para um futuro promissor, cuja passagem se daria, necessariamente, pelo vestibular, a escola passou a ser preparadora de realizadores de testes de determinados estilos. Há pais que, já na educação infantil, preocupam-se com o vestibular que só ocorrerá dez, 12 anos mais tarde. Dessa maneira, a escola passou a ser instrutora de conteúdos.

 

Com a retirada das crianças do espaço público por medo da violência, muitas vão à escola para encontrar pares. A escola tornou-se, portanto, o ponto de encontro de crianças e adolescentes.

 

Vou ficar apenas nesses motivos que se distanciaram do sentido original da escola para tratar especificamente deste: a escola deve servir, basicamente, para introduzir o aluno no mundo público por meio do conhecimento, ensiná-lo a pensar por si mesmo e de maneira crítica, oferecer condições para que ele possa fazer as melhores escolhas possíveis, e aprender a ser cidadão.

 

A escola é que faz a transição, para os mais novos, do espaço privado familiar para o mundo. Este é, cada vez mais, plural, em todos os sentidos. E as famílias cada vez mais singulares e diferentes entre si nas crenças, nos conceitos e preconceitos, no estilo de vida, na moral, nos valores que priorizam, nas virtudes que prezam etc.

 

Por isso, a escola tem de ter partido. O partido do ensino do conhecimento sem seleção prévia, da justiça, da convivência e respeito com as diferenças, da liberdade – inclusive de pensamento –, da autonomia, do pensamento crítico, da democracia, entre outros.

 

Caro leitor, você já deve ter ouvido a frase "meu filho, minhas regras". Nada mais opressor e prepotente do que esse conceito, porque ele significa restringir a vida dos filhos.

 

Você deve lembrar-se de vários aprendizados que teve com seus pais que, mais tarde, deixou de lado por não dizer respeito a você. Pois é a escola que dará a chance aos filhos de se verem livres, se quiserem, de alguns – ou muitos – ensinamentos que receberam da família.

 

Por isso, caro leitor, lute para que seu filho encontre na escola a oportunidade de tornar-se um cidadão justo, livre, respeitoso, autônomo e crítico em relação a essa excessiva oferta de informações, notícias, imagens, produtos etc. que temos na atualidade.

 

É a escola sem limitações que possibilitará isso a ele.

 

Disponível no site: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/2016/08/1797863-escola-faz-transicao-do-espacoprivado- para-o-mundo-e-tem-de-ter-partido.shtml. Acesso em: 20 out. 2016.

 

Considerando a noção de texto e os princípios de textualidade, a coerência

  1. caracteriza-se pela avaliação do interlocutor e está relacionada à atitude do receptor frente aos textos, se têm relevância ou utilidade para ele.
  2. caracteriza-se pela finalidade pretendida pelo locutor (ou enunciador: falante ou escritor) diante do alocutário (ou enunciatário: ouvinte ou leitor).
  3. é o inter-relacionamento dos elementos linguísticos aos recursos com os quais os interlocutores indicam as relações que pensaram entre os elementos linguísticos em seus textos.
  4. envolve fatores que determinam se um texto é consistente; relaciona-se com o tema do texto, os tópicos que o compõem e seu conteúdo e a participação dos interlocutores.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Coerência diz respeito aos fatores que tornam um texto consistente e inteligível; é uma qualidade global que garante que as partes do texto se articulem em sentido.

Assim, quando a alternativa afirma que a coerência se relaciona com o tema, os tópicos que o compõem e seu conteúdo, ela destaca que deve haver continuidade e pertinência entre o que se propõe a tratar e o desenvolvimento efetivo das ideias.

Além disso, a menção à participação dos interlocutores lembra que a coerência depende do contexto comunicativo: intenções do emissor, expectativas do receptor e conhecimentos compartilhados influenciam se um enunciado é aceitável ou não.

Em suma, coerência é a harmonia entre assunto, organização das ideias e contexto comunicativo, que faz o texto “fazer sentido”.

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