Questão FC326743
De tão controverso tornou-se popular ou de tão popular tornou-se controverso?
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
IBGP · 2015
O paradoxo do ‘pau de selfie’
Quando cunhou a expressão "década do eu" para definir os anos 1970 nos EUA, o escritor Tom Wolfe não imaginava que, 40 anos depois, a febre global do "pau de selfie" colocaria o individualismo daquela geração no chinelo. Para quem ainda consegue ignorar: "selfie stick", que em português ganhou essa genial tradução, descreve um bastão extensor que acomoda, em sua extremidade, um smartphone ou câmera fotográfica. Serve para ampliar o enquadramento de autorretratos – ou selfies.
Poderia ser mais um acessório tecnológico banal, mas ganhou vida própria. Listado como uma das melhores invenções de 2014 pela revista "Time", protagonista de metade das chacotas postadas na internet e objeto de extensas reportagens e análises, o "pau de selfie" é o gadget mais falado, usado, discutido e ridicularizado da vida real e digital.
Chamado de "pochete tecnológica" por sua suposta cafonice, ou de "narcisstick", algo como "basto narcísico", o acessório já foi debatido por seus efeitos no turismo (viajantes já obcecados por registrar a própria imagem agora o fariam de maneira mais explícita e às vezes desrespeitosa, com o basto esticado na cara de alguém), nas relações sociais (seria o fim do "tira uma foto pra mim?"), na psique coletiva (estaríamos levando o narcisismo às últimas consequências) e, por fim, na segurança pública (seu uso foi proibido em estádios de futebol no Reino Unido e no Ceará).
De tão controverso tornou-se popular ou de tão popular tornou-se controverso?
Arrisco outra hipótese. O que o bastão trouxe de novo, já que selfies povoam o mundo há algum tempo, foi escancarar nossa vaidade e permanente necessidade de aprovação. É mais difícil ficar indiferente ao ato de empunhar uma vareta do que ao simples "autoclique" com o celular.
O estardalhaço da cena incomoda não só porque é "ridícula", como resumem os críticos, mas também talvez porque nos lembre de nossa própria carência de admiração, atenção, pertencimento.
E não adianta dizer "comigo não". Do prêmio Nobel ao "like" no Instagram, é a busca por reconhecimento que move a maior parte de nossas conquistas.
Há maneiras muito distintas de fazê-lo, verdade. Mas seria ingenuidade (ou hipocrisia) achar que só aquele fulano sorridente a disparar flashes sobre si mesmo quer ser querido, validado pelos outros.
As distorções que levaram exacerbação desse sentimento são outro capítulo. Mas rir do grupinho amontoado diante da câmera talvez diga mais sobre nós mesmos do que sobre eles.
Antes de compartilhar a próxima piada sobre "pau de selfie", talvez seja melhor se lembrar de que estamos todos juntos nessa foto.
MACEDO, Lulie. Folha de S. Paulo, 23 jan. 2015.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao
/2015/01/1579145-lulie-macedo-o-paradoxo-do-pau-deselfie. shtml.
Acesso em: 23 fev. 2015
Leia este trecho.
| Quando cunhou a expressão "década do eu" para definir os anos 1970 nos EUA, o escritor Tom Wolfe não imaginava que, 40 anos depois, a febre global do "pau de selfie" colocaria o individualismo daquela geração no chinelo. |
Assinale a alternativa em que se apresenta a reescrita desse trecho, sem alteração do sentido original.
- O escritor Tom Wolfe, criador, nos EUA, da expressão "década do eu", nos anos 1970 não poderia imaginar que, a moda de utilização do “pau de selfie”, ao longo de 40 anos, tornaria a geração atual mais egocêntrica do que as outras.
- Tom Wolfe, 40 anos, depois de ter empregado a expressão "década do eu" para definir a geração global dos anos 1970, não imaginava que o individualismo do "pau de selfie" nos EUA colocaria no chinelo o termo por ele cunhado.
- O escritor Tom Wolfe não imaginava que, após quatro décadas, a atual moda de usar o "pau de selfie" que abrange o mundo inteiro evidenciaria um individualismo bem mais acentuado do que o da época em que cunhou a expressão "década do eu” a fim de definir os anos 1970 nos EUA.
- Tom Wolfe desconheceu a febre global do "pau de selfie", quando empregou pela primeira vez a expressão "década do eu" que definia o egocentrismo dos Estados Unidos ao descrever a geração que marcou os anos 1970, e não imaginaria que, quatro décadas depois, o individualismo daquela época superaria o da geração atual.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa C reescreve o trecho mantendo todas as relações essenciais do original: sujeito, referência temporal e comparação de intensidade.
Ela conserva que Tom Wolfe cunhou a expressão "década do eu" para os anos 1970 nos EUA e que, após quatro décadas, surgiu uma febre global — aqui traduzida por "atual moda ... que abrange o mundo inteiro".
O sentido de que esse fenômeno torna o individualismo muito mais acentuado do que o daquela época corresponde exatamente à ideia de "colocaria no chinelo".
Portanto, a alternativa mantém a sequência temporal, os referentes e a comparação de intensidade, sem acrescentar ou omitir informações relevantes ao enunciado original.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em