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Questão FC326844

O que é erro?

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBGP · 2019

O que é erro?

 

Um modo interessante de romper com o círculo vicioso do preconceito linguístico é reavaliar a noção de erro. Ora, em cartazes e placas não aparecerem "erros de português" e, sim "erros" de ortografia. Escrever, digamos, LOGINHA DE ARTESANATO onde a lei obriga a escrever LOJINHA em nada vai prejudicar a intenção do autor da placa: informar que ali se vende objetos de artesanato.

 

Todo falante nativo de uma língua é um falante plenamente competente dessa língua, capaz de discernir intuitivamente a gramaticalidade ou agramaticalidade de um enunciado, isto é, se um enunciado obedece ou não às regras de funcionamento da língua.

 

Ninguém comete erros ao falar da sua própria língua materna, assim como ninguém comete erros ao andar ou ao respirar. Só se erra naquilo que é aprendido, naquilo que constitui um saber secundário, obtido por meio de treinamento, prática e memorização: erra-se ao tocar piano, erra-se ao dar um comando ao computador, erra-se ao falar/escrever uma língua estrangeira. A língua materna não é um saber desse tipo: ela é adquirida pela criança desde o útero, é absorvida junto com o leite materno. Por isso qualquer criança entre os 3 e 4 anos de idade (se não menos) já domina plenamente a gramática de sua língua.

 

BAGNO, M. Preconceito linguístico: o que é e como se faz. São Paulo: Edições Loyola, 1999, p. 124.

 

Uma das teses que o autor defende no texto é:

  1. A de que todos escrevem bem na língua materna, ninguém comete erro ao usá-la na escrita.
  2. A de que a língua materna não é um saber secundário, conseguido com treino, mas um saber adquirido desde antes de o falante nascer, daí a noção de erro não poder ser aplicada a ela.
  3. A de que toda criança domina plenamente a gramática escolar, pois ela absorve-a desde antes do nascimento, estando apta, portanto, a não cometer erros de ortografia.
  4. Todo falante de uma língua é competente para descobrir os erros gramaticais cometidos por quem não tem estudos formais, pois estes erros maltratam a língua materna e são fáceis de identificar.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa aponta que a língua materna não é um saber secundário adquirido por treino, mas um conhecimento natural adquirido desde antes do nascimento.

No texto, o autor explica que a criança internaliza a gramática de sua língua muito cedo (por volta de 3–4 anos) e que todo falante nativo tem competência intuitiva para julgar a gramaticalidade de enunciados.

Por isso, o termo erro — próprio de atividades aprendidas via prática e memorização (tocar piano, comandos ao computador, língua estrangeira) — não se aplica à fala nativa.

Além disso, o autor diferencia erros de ortografia da competência linguística: grafias inadequadas não invalidam a capacidade comunicativa nem constituem “erros” da língua materna.

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