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Questão FC326920

O BICHO Manuel Bandeira Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBGP · 2017

O BICHO


Manuel Bandeira


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.


Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.


O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.


O bicho, meu Deus, era um homem.


Fonte: https://literaturaemcontagotas.wordpress.com/2008/11/25/o-bicho-de-manuel-bandeira/ Acesso em: 01/04/2017.

 

Assinale a alternativa que apresenta o MELHOR entendimento do poema lido:

  1. A situação de pobreza do bicho assusta o eu-lírico, ou seja, a voz que conta o poema.
  2. O bicho que deixa o eu-lírico, ou seja, a voz que conta o poema, espantado, é o ser humano.
  3. A situação dos animais abandonados deixa o eu-lírico, ou seja, a voz que conta o poema, indignado.
  4. A situação que deixa o eu-lírico, ou seja, a voz que conta o poema, espantado, é a pobreza de sua cidade.
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Gabarito

B

Comentário do professor

O poema revela, no final, que o bicho avistado pelo eu-lírico não é um animal, mas um ser humano. Essa solução inesperada provoca choque e força a reflexão sobre a condição humana.

A enumeração negativa ("não era um cão... não era um gato... não era um rato") cria suspense e despersonaliza a figura até a revelação. O verso final, curto e enfático, funciona como clímax irônico.

O comportamento descrito — catando restos com voracidade — é usado como imagem de desumanização e pobreza extrema. A surpresa do narrador traduz indignação e convoca o leitor a reconhecer a miséria social.

Em suma, a melhor leitura é que o poema denuncia a redução do homem à condição de "bicho" por fatores sociais, expondo uma crítica moral e social contundente.

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