Questão FC363864
Considerando a construção textual e a relação entre as ideias, qual das alternativas a seguir expressa corretamente a coerência e coesão presentes no trecho sobre a ausência do rec
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
IGEDUC · 2025
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Carlos Chagas: há 90 anos morria o único cientista
a descrever completamente uma doença
Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas foi a primeira e até hoje única pessoa a descrever completamente uma doença infecciosa.
Ele, com suas pesquisas, detalhou o patógeno, o vetor, os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia da tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas — em sua homenagem.
Nesse processo de pesquisa, ele descobriu o protozoário causador da patologia e o batizou de Trypanosoma cruzi — em alusão laudatória ao seu amigo, o também médico Oswaldo Cruz.
"Ao longo de sua vida, tornou-se membro de prestigiadas instituições médicas e científicas de vários países, especialmente no campo da medicina tropical, e foi agraciado com importantes prêmios e honrarias."
Mas o não recebimento do Nobel, para o qual foi indicado em 1913 e 1921, ainda é visto por muitos como uma injustiça histórica. "Acho que foi uma fratura, uma mágoa para a ciência do Brasil. Porque ele tinha chance de conseguir, mas uma série de conflitos internos, invejas e algumas coisas nesse sentido fez com que seu nome não fosse o escolhido", comenta à BBC News Brasil a historiadora Rita de Cássia Marques, professora titular na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
"Ele tinha chances de ganhar porque é muito difícil fazer o que ele fez: a identificação de uma doença em todo o seu ciclo, desde o animal até o seu desenvolvimento. Isso é muito raro e uma coisa muito importante", completa Marques.
"A descoberta dele foi única e mereceria um prêmio Nobel, obviamente", diz à BBC News Brasil a historiadora Ana Nemi, professora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ela atribui ao contexto hierárquico consolidado entre o norte global e o sul global o fato de ele jamais ter sidolaureado com o prêmio.
"Na época eram outros termos, eram países modernos versus países atrasados. O fato é que existe essa hierarquia de produção de saberes e conhecimentos e é muito difícil quebrar esta barreira sendo pesquisadores do sul global", analisa.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yp9re49m8o.adaptado.
"Acho que foi uma fratura, uma mágoa para a ciência do Brasil. Porque ele tinha chance de conseguir, mas uma série de conflitos internos, invejas e algumas coisas nesse sentido fez com que seu nome não fosse o escolhido", comenta à BBC News Brasil a historiadora Rita de Cássia Marques, professora titular na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Considerando a construção textual e a relação entre as ideias, qual das alternativas a seguir expressa corretamente a coerência e coesão presentes no trecho sobre a ausência do reconhecimento de Carlos Chagas com o Nobel?
- A expressão "algumas coisas nesse sentido" se refere aos aspectos técnicos da pesquisa de Chagas, os quais não foram considerados inovadores o suficiente pelo comitê do Nobel, justificando a ausência do prêmio.
- A expressão "fratura, uma mágoa para a ciência do Brasil" indica o impacto negativo da ausência do prêmio na comunidade científica brasileira, conectando a ideia de perda com conflitos e invejas que impediram o reconhecimento de Chagas.
- A palavra "conseguir" refere-se ao trabalho de Chagas em descrever a doença em detalhes, o que não foi suficiente para superar o contexto de disputa acadêmica mencionado no trecho.
- O termo "conflitos internos" indica uma divisão entre os próprios cientistas brasileiros, o que fez com que o nome de Chagas fosse retirado de qualquer consideração internacional para o Prêmio Nobel.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A expressão "fratura" e "uma mágoa" funciona como metáfora para marcar um impacto negativo e coletivo: não é apenas um aborrecimento pessoal, mas uma lesão simbólica para a ciência brasileira.
O emprego de "Porque" introduz uma explicação direta, estabelecendo uma conexão causal entre o impacto (a "mágoa") e as razões alegadas logo a seguir.
As ações mencionadas — "conflitos internos, invejas" — são apresentadas como causas concretas que impediram o reconhecimento; o texto mantém coesão ao usar pronomes e termos que retomam Chagas (por ex., "ele", "seu nome").
Assim, a alternativa correta sintetiza adequadamente a relação entre a ideia de perda simbólica e os motivos apontados no trecho: impacto coletivo explicado por fatores humanos que bloquearam o reconhecimento.
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