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Questão FC363910

Qual é o marco do desenvolvimento recente alcançado por Opal Sandy após receber o tratamento mencionado no texto?

Interpretação de Textos (Compreensão)

IGEDUC · 2024

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A terapia genética inovadora que fez menina nascida surda escutar pela primeira vez


Uma menina britânica que nasceu surda agora consegue ouvir sem qualquer auxílio, após ser submetida a um tratamento inovador de terapia genética.


Opal Sandy recebeu o tratamento pouco antes de seu primeiro aniversário. Seis meses depois, ela consegue ouvir sons tão suaves quanto um sussurro — e está começando a falar, dizendo palavras como "mamãe" e "papai".


Aplicada como uma infusão no ouvido, a terapia substitui o DNA defeituoso que causa seu tipo de surdez hereditária.


Opal participa de um ensaio clínico que recruta pacientes no Reino Unido, nos EUA e na Espanha. O tratamento é desenvolvido pela empresa de biotecnologia Regeneron.


Médicos de outros países, incluindo a China, também estão explorando tratamentos semelhantes para a mutação no gene da otoferlina (OTOF), com a qual Opal nasceu.


Seus pais, Jo e James, de Oxfordshire, no sudeste da Inglaterra, dizem que os resultados foram impressionantes.


Ao mesmo tempo, permitir que Opal fosse a primeira a testar este tratamento foi uma decisão extremamente difícil, eles relatam.


"Foi muito assustador, mas acho que tivemos uma oportunidade única", afirma Jo.


A irmã de Opal, Nora, de cinco anos, tem o mesmo tipo de surdez e lida bem com um implante coclear. Em vez de tornar o som mais alto, como um aparelho auditivo, ele dá a "sensação" de escutar.


O implante estimula diretamente o nervo auditivo que se comunica com o cérebro, contornando as células ciliadas, sensíveis ao som e danificadas, em uma parte do ouvido interno conhecida como cóclea.


Já a terapia genética utiliza um vírus modificado e inofensivo para entregar uma cópia funcional do gene OTOF a estas células.


Opal foi submetida à terapia no ouvido direito, sob anestesia geral, e um implante coclear foi colocado em seu ouvido esquerdo.


Apenas algumas semanas depois, ela conseguia ouvir sons altos, como palmas, no ouvido direito.


E depois de seis meses, seus médicos, do Hospital Addenbrooke, em Cambridge, confirmaram que seu ouvido tinha uma audição praticamente normal para sons suaves — incluindo sussurros baixinhos.


"É maravilhoso vê-la responder ao som", diz o cirurgião auditivo Manohar Bance, o pesquisador-chefe do ensaio clínico, à BBC News.


"É um momento de muita alegria."


Os especialistas esperam que a terapia também funcione para outros tipos de perda auditiva profunda.


Mais da metade dos casos de perda auditiva em crianças tem causa genética.


A expectativa de Bance é que o ensaio clínico possa levar ao uso da terapia genética para tipos mais comuns de perda auditiva.


"O que espero é que possamos começar a usar a terapia genética em crianças pequenas... Em que, de fato, recuperemos a audição e elas não precisem ter implantes cocleares e outras tecnologias que necessitem ser substituídas", afirma.


A perda auditiva causada por uma variação no gene OTOF não é comumente detectada até que as criançastenham dois ou três anos de idade, quando é provável haver um atraso na fala.


Os testes genéticos para famílias que apresentam risco estão disponíveis no NHS (sistema de saúde público do Reino Unido).


No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) também oferece alguns testes para identificar mutações no gene OTOF, como a identificação de alteração cromossômica submicroscópica por meio do exame Array-CGH e a identificação de mutações por sequenciamento pela técnica amplicon de até 500 pares de bases.


"Cabe ao gestor local disponibilizar esses exames, que são custeados pela tabela SUS, e aos médicos que atuam nos Serviços de Atenção Especializada ou nos Serviços de Referência em doenças raras, dar os devidos encaminhamentos do paciente", explicou o ministério.


O cirurgião auditivo Manohar Bance destaca a importância do diagnóstico cedo.


"Quanto mais cedo pudermos restaurar a audição, melhor para todas as crianças, porque o cérebro começa a reduzir sua plasticidade [adaptabilidade] após três anos de idade mais ou menos", diz Bance.


A experiência de Opal está sendo apresentada, junto a outros dados científicos do ensaio clínico, na Sociedade Americana de Terapia Genética e Celular (ASGCT, na sigla em inglês), em Baltimore, nos EUA.


Martin McLean, da Sociedade Nacional de Crianças Surdas do Reino Unido, afirma que mais opções seriam bem-vindas.


"Com o apoio certo desde o início, a surdez nunca deverá ser uma barreira à felicidade ou à realização", diz ele.


"Como uma instituição beneficente, apoiamos as famílias a fazerem escolhas informadas sobre tecnologias médicas, para que possam dar aos seus filhos surdos o melhor começo de vida possível."

 

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c51nz8yzpg4o

 

Qual é o marco do desenvolvimento recente alcançado por Opal Sandy após receber o tratamento mencionado no texto?

  1. Ela começou a andar.
  2. Ela começou a ler.
  3. Ela começou a nadar.
  4. Ela começou a falar.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Marco alcançado: começar a falar.

"Seis meses depois, ela consegue ouvir sons tão suaves quanto um sussurro — e está começando a falar, dizendo palavras como 'mamãe' e 'papai'."
Esse trecho do texto confirma diretamente o marco relatado após a terapia genética.

A recuperação da audição no ouvido tratado permitiu que Opal perceba sons sutis e passe a emitir vocábulos reconhecíveis, indicando progresso no desenvolvimento da linguagem. A experiência auditiva é fundamental para a prática vocal e a aquisição da fala.

Além disso, o texto destaca a importância do diagnóstico e intervenção precoces, lembrando que a plasticidade cerebral diminui após cerca de três anos — por isso restaurar a audição cedo favorece a consolidação da fala.

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