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Questão FC363980

O Texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo. A fila do mineiro Um comportamento é digno de atenção aqui. Mineiro não forma fila. Ele faz um semicírculo. Um par

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

IGEDUC · 2025

O Texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo.

A fila do mineiro

 

Um comportamento é digno de atenção aqui. Mineiro não forma fila. Ele faz um semicírculo. Um paredão que avança lentamente, ocupando a extensão inteira da calçada. Jamais vi uma fila indiana em Minas, um atrás do outro, como no padrão internacional.

 

O conjunto irradia espontaneamente para os cantos e laterais. Não se dispõe de maneira uniformizada, em linha reta, como acontece nos demais Estados do país.

 

Rompe-se com aquele sentimento de rebanho, conduzido pelo vaqueiro em fileira devido às trilhas estreitas e obstáculos das pastagens. É uma fila livre da fila. Todos sabem quando é a sua vez, não há desrespeito ao espaço alheio, à preferência do antecessor.

 

De modo nenhum, esse movimento de se espalhar é um jeito criativo de furar fila. Existe em cada um a consciência do momento em que se chegou ali e a fixação mental de seu lugar.

 

A fila se distribui horizontalmente em qualquer ambiente. Pode ser numa unidade de saúde, numa entrevista de emprego, numa balada, na entrada de um restaurante, para realizar algum concurso, para ingressar na escola, para colher autógrafos de um autor, para entrar num estádio ou teatro.

 

Todo mineiro dá um passo à frente antes da hora, transgredindo a delimitação prévia. Pensei primeiramente que era um recurso para ampliar o campo de visão e espiar o quanto faltava para o final. Até que reparei que tem mais a ver com o afeto: ele reencontra amigos e colegas na fila e puxa assunto lado a lado. Arruma um grupo. Arruma uma panelinha. Arruma um bando. Arruma um clube da esquina.

 

Tanto que é o único povo no Brasil que conversa no elevador. Fila, então, é sua chance de começar um comício.

 

É impressionante a sua capacidade de criar raízes nas casualidades. Mesmo quando não conhece ninguém, resgata algum parentesco ou afinidade perguntando onde a pessoa mora, onde nasceu, onde estudou, com o que trabalha. O sobrenome desperta uma família que desemboca num laço remoto, ou uma cidade lembra um parente que resulta numa observação espirituosa, e se estabelece a magia. O mineiro vai questionando exaustivamente, rodeando, numa investigação da intimidade sem precedentes. Sempre acaba achando um ponto em cruz para tricotar coincidências, para firmar convergências.

 

É o que batizo de "visita de rua". Mineiro não realiza visitas unicamente em casa, mas também efetua abordagens no meio de seu trajeto, pescando colóquios e audiências.

 

Assim o tempo passa mais rapidamente, o desconforto se transforma em prazer, e nem parece que você estava aguardando algo. Fica, inclusive, com o gosto amargo de ter que se despedir das amizades. É comum se mostrar contrariado ao ser chamado para o guichê ou balcão. Só em Minas, a fila é melhor do que o atendimento.

 

Fabrício Carpinejar

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/9/27/a-filado- mineiro

 

Com base no texto "A fila do mineiro", de Fabrício Carpinejar, identifique a figura de linguagem presente na frase a seguir e assinale a alternativa correta:

 

"Rompe-se com aquele sentimento de rebanho, conduzido pelo vaqueiro em fileira devido às trilhas estreitas e obstáculos das pastagens."

  1. Metáfora, pois a frase associa de forma implícita o comportamento das pessoas a um rebanho, criando uma relação de semelhança.
  2. Metonímia, pois utiliza o termo "rebanho" para representar um grupo de pessoas que forma uma fila.
  3. Hipérbole, pois há uma exageração intencional ao comparar o comportamento em filas ao de animais em pastagens.
  4. Prosopopeia, pois atribui características humanas ao sentimento de rebanho, como ser conduzido pelo vaqueiro.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Metáfora: figura que estabelece uma comparação implícita, sem usar conectivos comparativos (como "como" ou "tal qual"), transferindo sentidos entre termos.

Na frase "Rompe-se com aquele sentimento de rebanho, conduzido pelo vaqueiro...", o autor não fala de um rebanho literal: usa a imagem do rebanho para qualificar um comportamento humano coletivo — a ideia de conformismo e de seguir um líder.

Há, portanto, uma transposição de sentido: características de animais e pastoreio (submissão, trilha única) são atribuídas ao modo de agir das pessoas, conferindo significado conotativo e vívido à descrição.

Essa criação de sentido por semelhança é a marca da metáfora, justificando a alternativa assinalada.

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