Questão FC363985
Qual é a classe gramatical da palavra "que" nesse contexto?
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
IGEDUC · 2025
O Texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo.
A fila do mineiro
Um comportamento é digno de atenção aqui. Mineiro não forma fila. Ele faz um semicírculo. Um paredão que avança lentamente, ocupando a extensão inteira da calçada. Jamais vi uma fila indiana em Minas, um atrás do outro, como no padrão internacional.
O conjunto irradia espontaneamente para os cantos e laterais. Não se dispõe de maneira uniformizada, em linha reta, como acontece nos demais Estados do país.
Rompe-se com aquele sentimento de rebanho, conduzido pelo vaqueiro em fileira devido às trilhas estreitas e obstáculos das pastagens. É uma fila livre da fila. Todos sabem quando é a sua vez, não há desrespeito ao espaço alheio, à preferência do antecessor.
De modo nenhum, esse movimento de se espalhar é um jeito criativo de furar fila. Existe em cada um a consciência do momento em que se chegou ali e a fixação mental de seu lugar.
A fila se distribui horizontalmente em qualquer ambiente. Pode ser numa unidade de saúde, numa entrevista de emprego, numa balada, na entrada de um restaurante, para realizar algum concurso, para ingressar na escola, para colher autógrafos de um autor, para entrar num estádio ou teatro.
Todo mineiro dá um passo à frente antes da hora, transgredindo a delimitação prévia. Pensei primeiramente que era um recurso para ampliar o campo de visão e espiar o quanto faltava para o final. Até que reparei que tem mais a ver com o afeto: ele reencontra amigos e colegas na fila e puxa assunto lado a lado. Arruma um grupo. Arruma uma panelinha. Arruma um bando. Arruma um clube da esquina.
Tanto que é o único povo no Brasil que conversa no elevador. Fila, então, é sua chance de começar um comício.
É impressionante a sua capacidade de criar raízes nas casualidades. Mesmo quando não conhece ninguém, resgata algum parentesco ou afinidade perguntando onde a pessoa mora, onde nasceu, onde estudou, com o que trabalha. O sobrenome desperta uma família que desemboca num laço remoto, ou uma cidade lembra um parente que resulta numa observação espirituosa, e se estabelece a magia. O mineiro vai questionando exaustivamente, rodeando, numa investigação da intimidade sem precedentes. Sempre acaba achando um ponto em cruz para tricotar coincidências, para firmar convergências.
É o que batizo de "visita de rua". Mineiro não realiza visitas unicamente em casa, mas também efetua abordagens no meio de seu trajeto, pescando colóquios e audiências.
Assim o tempo passa mais rapidamente, o desconforto se transforma em prazer, e nem parece que você estava aguardando algo. Fica, inclusive, com o gosto amargo de ter que se despedir das amizades. É comum se mostrar contrariado ao ser chamado para o guichê ou balcão. Só em Minas, a fila é melhor do que o atendimento.
Fabrício Carpinejar
https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/9/27/a-filado- mineiro
Na frase "Um paredão que avança lentamente, ocupando a extensão inteira da calçada", a palavra "que" desempenha um papel importante na estrutura da oração.
Qual é a classe gramatical da palavra "que" nesse contexto?
- Pronome indefinido, pois refere-se a um elemento não especificado dentro da oração.
- Conjunção coordenativa aditiva, pois estabelece uma relação de adição entre as ações descritas.
- Conjunção subordinativa, pois conecta a oração principal com uma subordinada adjetiva.
- Pronome relativo, pois retoma o antecedente "paredão" e introduz uma oração adjetiva.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A palavra “que” atua aqui como pronome relativo.
Ela retoma o substantivo “paredão”, fazendo referência a esse antecedente e evitando sua repetição.
Além disso, introduz uma oração adjetiva — “que avança lentamente, ocupando a extensão inteira da calçada” — cuja função é caracterizar o referido “paredão”.
Uma forma prática de confirmar: é possível substituir que por “o qual” — “Um paredão o qual avança lentamente…” — mantendo o sentido; esse teste sinaliza a classe pronome relativo.
Em resumo, “que” exerce simultaneamente a função de retomar o antecedente e de conectar uma oração subordinada adjetiva que o qualifica.
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