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Questão FC376162

Considere a seguinte situação hipotética. Suponha que um agente público X, lotado em uma repartição da Administração Pública Federal, situada no Rio de Janeiro, tenha sido desidios

Poderes e Deveres da Administração

VUNESP · 2018

Considere a seguinte situação hipotética.


Suponha que um agente público X, lotado em uma repartição da Administração Pública Federal, situada no Rio de Janeiro, tenha sido desidioso no desempenho de suas tarefas e também faltado ao serviço. Seu superior hierárquico determina, em face dessa conduta de X, em desacordo com seus deveres funcionais, a transferência ex officio de X para uma repartição situada em uma longínqua cidade do interior de Mato Grosso.


O ato administrativo praticado pelo superior hierárquico de X está

  1. viciado quanto a seu objeto, pois este é diverso daquele previsto em lei, e a pena cabível no caso de X seria mais gravosa, de suspensão, e não a mera transferência ex officio.
  2. correto, posto que o superior hierárquico de X possui poder disciplinar e o dever de apurar a ocorrência de falta e imputar a pena cabível.
  3. viciado pelo desvio de finalidade ou desvio de poder, já que a transferência ex officio deve ocorrer em razão de necessidade de serviço, não se prestando à punição de servidor.
  4. correto, posto que o superior hierárquico de X deveria agir de imediato em relação às faltas constatadas, sob pena de ser caracterizada prevaricação de sua parte.
  5. viciado por defeito de forma, já que a penalidade de remoção deveria ter sido precedida de regular processo administrativo ao qual X tivesse acesso à ampla defesa.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa está correta: o ato está viciado por desvio de finalidade (ou desvio de poder).

A transferência ex officio só é legítima quando fundada na necessidade do serviço, não como meio de punir servidor por desídia ou faltas.

O desvio de finalidade ocorre quando o agente público pratica ato visando fim diverso do previsto na regra de competência — hipótese prevista no art. 2º, par. único, inciso e da Lei nº 4.717/65.

Assim, a transferência utilizada como sanção é nula, cabendo sua anulação pelo controle administrativo ou judicial, e a responsabilização do autor do ato, sem substituí‑la pelo procedimento disciplinar adequado previsto no estatuto funcional.

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