Questão FC384124
porque depois dele não há nada?
Morfologia
Instituto Verbena · 2024
Texto 4
A um ausente
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar,
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza,
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
por que o fizeste, por que te foste.
ANDRADE, Carlos Drummond. Farewell. 6ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 1998.
A conjunção utilizada para introduzir uma explicação ou justificativa é
- “e” em “Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora”.
- “porque” em “o ato que não ousamos nem sabemos ousar, porque depois dele não há nada”.
- “e” em “simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais”.
- “até” em “sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair.”.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Porque é aqui a conjunção que introduz a razão ou justificativa do que foi dito antes: explica por que não ousam nem sabem ousar.
Sintaticamente, estabelece uma relação de causa/consequência entre a oração principal "o ato que não ousamos nem sabemos ousar" e a subordinada "depois dele não há nada".
Trata‑se de uma conjunção subordinativa causal (explicativa), pois fornece o motivo que legitima a afirmação anterior.
O uso da vírgula antes de porque reforça o valor explicativo: há uma pausa que anuncia a justificativa.
Não é forma interrogativa nem substantiva; cumpre a função de explicar o comportamento referido no verso.
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