Questão FC384181
Leia o Texto 2 para responder à questão Texto 2 Hoje, excepcionalmente, de Antônio Prata Hoje, excepcionalmente, não escrevo esta coluna. Semana retrasada eu também não escrevi, ve
Semântica
Instituto Verbena · 2024
Leia o Texto 2 para responder à questão
Texto 2
Hoje, excepcionalmente, de Antônio Prata
Hoje, excepcionalmente, não escrevo esta coluna. Semana retrasada eu também não escrevi, verdade. Pensando bem, minha falha não soa assim tão excepcional. Gostaria de dizer que a sequência de mancadas visa a normalizar o erro, num ato antissistema, antieficiência, Manifesto Pau-Brasil, "toca Raul!" e viva Domenico De Masi, mas estaria mentindo. A explicação é mais prosaica. Semana retrasada eu estava na praia, caiu um temporal, fiquei sem luz por 30 horas, o computador morreu, o celular morreu, tive medo de morrer também enfrentando a Rio-Santos e "Hoje, excepcionalmente"...
Agora é diferente. Embora eu esteja na praia, de novo, tem luz. É sexta-feira de Carnaval. Não chove, muito pelo contrário. O sol se põe no mar em algum ponto do horizonte entre Senegal e Angola, com requintes de calendário. Tem uma moqueca saindo do fogão à lenha. Seis crianças correm pelo gramado me chamando pra um esconde-esconde e um freezer horizontal cheio de Heinekens abre e fecha a tampa, murmurando "Antooooooonio... Antooooooonio".
Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2024/02/hoje-excepcionalmente.shtml>. Acesso em: 11 fev. 2024.
Em “o computador morreu, o celular morreu”, o verbo “morreu” está empregado em sentido
- figurado.
- latente.
- alternativo.
- próprio
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Gabarito
A
Comentário do professor
O verbo morreu aparece aqui em sentido figurado (ou conotativo): não indica morte biológica, mas uma transferência do sentido literal para outro uso expressivo.
Num enunciado como “o computador morreu, o celular morreu”, atribui‑se a objetos inanimados uma qualidade própria de seres vivos — isso é antropomorfismo — para comunicar que houve uma perda das funções ou paralisação completa de funcionamento.
Trata‑se, portanto, de uma metáfora: a ideia de fim absoluto (morrer) é usada como imagem para intensificar e resumir, em tom coloquial, o estrago técnico sofrido pelos aparelhos.
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