Questão FC384341
Texto 5 Insônia infeliz e feliz De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da
Concordância (Verbal e Nominal)
Instituto Verbena · 2024
Texto 5
Insônia infeliz e feliz
De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo.
As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Na frase “E as horas não passam.”, o verbo “passar” está no
- singular e concorda com a palavra “horas”.
- plural e concorda com a palavra “não”.
- plural e concorda com a palavra “horas”.
- singular e concorda com a palavra “não”.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Correta: a forma verbal "passam" está no plural. A desinência "-m" indica a flexão de número para o plural na 3ª pessoa do verbo.
O sujeito da oração é “as horas” (sujeito simples, núcleo no plural). Na concordância verbal, o verbo deve ajustar-se em pessoa e número ao núcleo do sujeito: por isso usamos "passam", e não "passa".
Mesmo havendo o advérbio de negação "não", isso não altera a regra de concordância: o verbo continua concordando com o sujeito. Podemos reescrever mentalmente como "Elas não passam" para visualizar a concordância em número.
Resumo: verbo em 3ª pessoa do plural por concordar com o sujeito “as horas”, que está no plural.
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