Questão FC384409
Leia o texto para responder à questão. A reinvenção da vírgula No começo de 1902, Machado de Assis ficou desesperado por causa de um erro de revisão no prefácio da segunda edição d
Linguagem
Instituto Verbena · 2024
Leia o texto para responder à questão.
A reinvenção da vírgula
No começo de 1902, Machado de Assis ficou desesperado por causa de um erro de revisão no prefácio da segunda edição de suas Poesias completas. Dizem que chegou a se ajoelhar aos pés do Garnier implorando para que o editor tirasse o livro de circulação. O aristocrático e impoluto Machado, quem diria. Mas a gralha era mesmo feia. O tipógrafo trocou o “e” por “a” na palavra “cegara”, o revisor deixou passar, e vocês imaginam no que deu.
No nosso caso, o erro não foi nada de mais, nem erro foi, para falar a verdade, apenas um acréscimo besta de pontuação, talvez dispensável, ainda que de modo algum incorreto. Vai o revisor, fiel à ortodoxia da gramática normativa, e espeta duas vírgulas para isolar um adjunto adverbial deslocado, coisa de pouca monta, diria alguém, mas suficiente para o autor sair bradando aos quatro ventos que lhe roubaram o ritmo da sentença. Um editor experiente traria um cafezinho bem doce, a conter o ímpeto dramático do autor de primeira viagem, talvez caçoando, “deixa de onda”, a lembrá-lo – valha-me Deus! – que ele não é nenhum Bruxo do Cosme Velho*. E assim lhe cortando as asas antes do voo.
*Referência à Machado de Assis.
Disponível em <https://jornal.usp.br/artigos/a_reinvencao_da_virgula/>. Acesso em: 13 dez. 2023. [Adaptado].
No texto, o enunciador utiliza a expressão “Bruxo do Cosme Velho” como uma referência à Machado de Assis. Esse recurso de coesão textual, que consiste no emprego de uma palavra ou expressão para qualificar um referente, é denominado
- elipse.
- epíteto.
- nominalização.
- sequenciação.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Epíteto é um recurso linguístico que qualifica um referente por meio de uma expressão que destaca uma característica sua, funcionando como uma espécie de apelido ou rótulo conotativo.
No trecho, a expressão “Bruxo do Cosme Velho” identifica e qualifica o escritor Machado de Assis, atribuindo‑lhe uma imagem simbólica ligada à sua fama e ao local onde viveu.
Como recurso de coesão textual, o epíteto estabelece referência ao mesmo tempo em que acrescenta nuance valorativa e reforça a identificação do referente, sem alterar a informação denotativa do nome próprio.
Portanto, a construção funciona como epíteto: retoma o referente e lhe confere uma característica salientada, contribuindo para o sentido e o estilo do texto.
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