Questão FC384428
Texto 2 Guerra Guerra é esforço, é inquietude, é ânsia, é transporte... É a dramatização sangrenta e dura Da avidez com que o Espírito procura Ser perfeito, ser máximo, ser forte!
Interpretação de Textos (Compreensão)
Instituto Verbena · 2025
Texto 2
Guerra
Guerra é esforço, é inquietude, é ânsia, é transporte...
É a dramatização sangrenta e dura
Da avidez com que o Espírito procura
Ser perfeito, ser máximo, ser forte!
É a Subconsciência que se transfigura
Em volição conflagradora... É a coorte
Das raças todas, que se entrega à morte
Para a felicidade da Criatura!
É a obsessão de ver sangue, é o instinto horrendo
De subir, na ordem cósmica, descendo
À irracionalidade primitiva...
É a Natureza que, no seu arcano,
Precisa de encharcar-se em sangue humano
Para mostrar aos homens que está viva!
ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. 42. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998. p. 63.
No texto, o eu poético
- reverencia o esforço humano na busca pela superioridade frente aos seus pares, mesmo que isso se dê em combates sangrentos que o aproximem da irracionalidade.
- define guerra em suas diversas facetas, tal como a de ser um palco em que a irracionalidade do ser humano é representada em práticas sanguinárias.
- expõe um depoimento pessoal de quem presenciou o comportamento humano racional de se sobressair na guerra pelo desejo natural de combater seu semelhante.
- refuta a ideia de que o ser humano durante a guerra demonstra ávido desejo de conquista e de se impor ao “outro”, transpondo-o para o estágio de irracionalidade.
- satiriza de forma desequilibrada o fato de, em contexto bélico, o ser humano fingir evitar que as batalhas sangrentas se naturalizam e façam parte de suas vidas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
O eu poético apresenta a guerra como fenômeno complexo, não apenas evento bélico, mas conjunto de manifestações internas e sociais. Ao usar termos como esforço, obsessão e “dramatização sangrenta”, o poeta descreve várias facetas: impulso espiritual, impulso coletivo e instinto violento.
Ao qualificar a guerra de “dramatização” e de necessidade natural que se “encharca em sangue”, o poema a transforma em um palco onde se encena a queda da razão. Essa cena expõe a irracionalidade humana — o gosto pela violência e a regressão à brutalidade.
Portanto, o eu poético define a guerra como múltipla: especialmente como um espaço simbólico em que a irracionalidade humana se materializa em práticas sanguinárias.
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