Questão FC384489
Texto 2 Evocação do Recife A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o
Interpretação de Textos (Compreensão)
Instituto Verbena · 2024
Texto 2
Evocação do Recife
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada…
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.
Nesse poema, o eu poético apresenta uma reflexão acerca das variações linguísticas próprias do português brasileiro em relação ao português europeu. Segundo a perspectiva do eu poético,
- a língua portuguesa apresenta uma única forma de uso.
- a variante europeia do português é mais culta e correta.
- o português brasileiro é uma corruptela da forma lusitana.
- a variação é uma marca da formação cultural brasileira.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O poema valoriza a variação linguística como traço identitário: o eu poético afirma que a vida e a língua lhe vinham "da boca do povo".
Ao empregar "língua errada do povo / Língua certa do povo", o autor transforma o aparente juízo negativo em reconhecimento: a variedade popular é autêntica e saborosa.
O verbo macaquear revela que são os letrados/intelectuais que tentam imitar a norma lusitana, não que o povo corrompa a língua. Assim, a diferença não é defeito, mas sinal de origem cultural própria.
Logo, a leitura do texto sustenta que a variação é uma marca da formação cultural brasileira, fruto da fala viva do povo e elemento constitutivo da identidade linguística nacional.
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