Questão FC384521
Leia o Texto 13 para responder à questão. Texto 13 Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal — eu não fazia isso há muitos anos, enquanto m
Interpretação de Textos (Compreensão)
Instituto Verbena · 2024
Leia o Texto 13 para responder à questão.
Texto 13
Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal — eu não fazia isso há muitos anos, enquanto me escondia em poesia e ficção. Crônica algumas vezes também é feita, intencionalmente, para provocar. Além do mais, em certos dias mesmo o escritor mais escolado não está lá grande coisa. Tem os que mostram sua cara escrevendo para reclamar: moderna demais, antiquada demais. Alguns discorrem sobre o assunto, e é gostoso compartilhar ideias. Há os textos que parecem passar despercebidos, outros rendem um montão de recados: “Você escreveu exatamente o que eu sinto”, “Isso é exatamente o que falo com meus pacientes”, “É isso que digo para meus pais”, “Comentei com minha namorada”. Os estímulos são valiosos pra quem nesses tempos andava meio assim: é como me botarem no colo – também eu preciso. Na verdade, nunca fui tão posta no colo por leitores como na janela do jornal. De modo que está sendo ótima, essa brincadeira séria, com alguns textos que iam acabar neste livro, outros espalhados por aí. Porque eu levo a sério ser sério... mesmo quando parece que estou brincando: essa é uma das maravilhas de escrever. Como escrevi há muitos anos e continua sendo a minha verdade: palavras são meu jeito mais secreto de calar.
LUFT, Lia. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004.
No trecho “Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal”, a expressão “botar a cara na janela”, no contexto da crônica, pode ser compreendida como uma alusão à
- capacidade que o cronista tem de se esconder.
- realidade tecnológica das redes sociais.
- exposição do cronista ao escrever.
- introspecção do texto em questão.
- solidão da atividade cronística.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Na expressão “botar a cara na janela” a autora usa uma imagem figurada para indicar exposição: não se trata de gesto literal, mas da atitude de se mostrar publicamente ao escrever uma crônica.
A crônica, por sua natureza, privilegia a subjetividade e a presença do cronista — sua voz, opiniões e experiências — o que implica visibilidade e, portanto, certa vulnerabilidade diante dos leitores.
Assim, a frase sugere que ao publicar no jornal o autor se coloca à mostra, sujeito a reações e ao diálogo com o público, transformando a escrita em um ato de contato social e de expressão pessoal.
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