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Questão FC384595

Leia o Texto 2 para responder à questão Texto 2 POEMA Mário Andrade Neste rio tem uma iara... De primeiro o velho que tinha visto a iara Contava que ela era feiosa, muito! Preta go

Interpretação de Textos (Compreensão)

Instituto Verbena · 2024

Leia o Texto 2 para responder à questão

 

Texto 2

POEMA

Mário Andrade

Neste rio tem uma iara...

De primeiro o velho que tinha visto a iara

Contava que ela era feiosa, muito!

Preta gorda manquitola ver peixe-boi.

Felizmente velho já morreu faz tempo.

Duma feita, madrugada de neblina

Um moço que sofria de paixão

Por causa duma índia que não queria ceder pra ele,

Se levantou e desapareceu na água do rio.

Então principiaram falando que a iara cantava, era moça,

Cabelos de limo verde do rio...

Ontem o piá brincabrincando

Subiu na igara do pai abicada no porto,

Botou a mãozinha na água funda

E vai, a piranha abocanhou a mãozinha do piá.

Neste rio tem uma iara...

 

ANDRADE, Mário. Clã do Jabuti. Projeto Livre Livro. Poeteiro: São Paulo, 2016, p. 27.

 

O poema se inicia e termina com o verso “neste rio tem uma iara...”. Esse verso revela

  1. a ideia de que o poema não tem fim, pois se mantém no imaginário dos leitores.
  2. a referência à figura mítica que também enfeitiça os leitores com seus atributos.
  3. o refrão do poema, retomando a ideia folclórica sobre o local onde vive a sereia.
  4. o fechamento do poema mediante um verso que reitera o poder sedutor da iara.
  5. o processo textual de restauração do tema por meio da protagonista da lenda.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa aponta que o verso inicial e final cria a sensação de que o poema não tem fim. A repetição de "Neste rio tem uma iara..." funciona como um elo que fecha e ao mesmo tempo reabre o texto, estabelecendo uma estrutura circular.

As reticências reforçam a ideia de continuidade: sugerem algo inacabado, que prossegue além do poema. Assim, o leitor é convidado a completar mentalmente a cena, mantendo a presença da iara viva.

Esse procedimento remete ao caráter oral das lendas: a história volta sempre ao começo, passando de boca em boca. Logo, o verso repetido mantém a figura no imaginário dos leitores, dando ao poema uma sensação de eternidade.

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