Questão FC384631
Leia o Texto 2 para responder à questão Texto 2 Poema de Sete Faces Carlos Drummond de Andrade Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche
Interpretação de Textos (Compreensão)
Instituto Verbena · 2024
Leia o Texto 2 para responder à questão
Texto 2
Poema de Sete Faces
Carlos Drummond de Andrade
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode,
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Disponível em: <https://www.culturagenial.com/poema-de-sete-facesdrummond/>. Acesso em: 19 fev. 2024.
O poema de Drumond versa principalmente sobre os sentimentos
- de esperança do eu-lírico.
- do eu-lírico em relação às sete faces do mundo.
- de inadequação e solidão do eu-lírico.
- do eu-lírico em relação à cidade.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Inadequação e solidão são o núcleo do poema: desde o primeiro verso a voz lírica é marcada por um destino de desencontro — o “anjo torto” que manda “ser gauche na vida” anuncia deslocamento e estranhamento diante do mundo.
Ao longo das estrofes, o eu-lírico observa a cidade e as pessoas com distância emocional: vê o bonde, as pernas, os homens, mas há uma separação entre ver e participar. A confissão “Meu Deus, por que me abandonaste / se sabias que eu era fraco” revela abandono e fragilidade existencial.
Expressões como “Tem poucos, raros amigos” e o jogo irônico sobre o nome (“se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução”) reforçam a incapacidade de pertencer. Mesmo a comoção final — “essa lua, esse conhaque, botam a gente comovido” — é sensível, mas não resolve a solidão profunda do eu-lírico.
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