Questão FC386733
Com licença poética Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito
Morfologia
Instituto Consulplan · 2025
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
– dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
(PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1995, p.11.)
No verso “ora sim, ora não, creio em parto sem dor.”, o verbo “creio” está conjugado na:
- Primeira pessoa do singular do pretérito perfeito.
- Primeira pessoa do singular do futuro do presente.
- Primeira pessoa do singular do pretérito imperfeito.
- Primeira pessoa do singular do presente do indicativo.
- Primeira pessoa do singular do presente do subjuntivo.
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Gabarito
D
Comentário do professor
"creio" é forma do verbo crer conjugada na 1ª pessoa do singular — isto é, refere-se ao sujeito-falante: "eu".
Do ponto de vista temporal e modal, trata-se do presente do indicativo, tempo que indica um fato, estado ou opinião situados no momento da enunciação ou em generalidade. Aqui, "creio" expressa uma crença atual do eu lírico.
Morfofoneticamente, a desinência "-o" é característica da 1ª pessoa do singular no presente do indicativo em grande parte dos verbos do português, inclusive em formas irregulares como creio.
Portanto, a alternativa correta é a que identifica 1ª pessoa do singular do presente do indicativo.
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