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Questão FC386766

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim lev

Morfologia

Instituto Consulplan · 2025

O amor não acaba, nós é que mudamos

 

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

 

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são substituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado a nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantêm os mesmos.

 

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

 

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

 

(MEDEIROS, Martha. Almas gêmeas. Em: outubro de 2022.)

 

Os termos sublinhados em “[...] somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice.” (4º§):

  1. Tratam-se de conjunções com sentido aditivo.
  2. São conjunções que exprimem sentido explicativo.
  3. Referem-se a uma correlação conjuntiva que indica escolha ou opcionalidade.
  4. Denotam finalização e/ou conclusão por se tratarem de conjunções conclusivas.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Correlação conjuntiva aqui significa o uso de conectivos que estabelecem uma série de alternativas equivalentes entre si. No trecho, a repetição do conectivo "ou" articula três núcleos predicativos paralelos: esgotados de sofrer, esgotados de esperar, esgotados da mesmice.

Essa estrutura mostra escolha ou opcionalidade: cada segmento descreve uma possibilidade distinta que justifica o afastamento do sentimento. Sintaticamente, "ou" funciona como conjunção coordenativa alternativa, ligando termos de mesma função dentro da oração e sugerindo que um ou outro (ou outro) quadro pode ocorrer.

Resumo: o recurso conjuntivo cria uma lista de opções explicativas, não uma adição ou explicação única, apontando para alternativas possíveis.

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