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Questão FC386878

Por uma globalização mais humana A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desd

Sintaxe

Instituto Consulplan · 2025

Por uma globalização mais humana

 

A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna-se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.

 

Vivemos um novo período na história da humanidade. A base dessa verdadeira revolução é o progresso técnico, obtido em razão do desenvolvimento científico e baseado na importância obtida pela tecnologia, a chamada ciência da produção.

 

Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.

 

Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.

 

A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.

 

Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos – a competitividade.

 

Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o que acontece em todos os demais.

 

Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.

 

Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.

 

A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.

 

O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.

 

Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.

 

Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão de obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização.

 

(Milton Santos. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br./Acesso em: janeiro de 2025.)

 

Em relação ao trecho “Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita [...]”, assinale a alternativa correta.

  1. O excerto é formado por três orações.
  2. A oração introduzida pela conjunção “porque” tem valor de causa.
  3. “Não cabe, todavia, perder a esperança” é uma oração subordinada.
  4. O fragmento “[...] porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita [...]” transmite a ideia de certeza de um fato.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na frase, a conjunção "porque" introduz uma oração que justifica a ideia anterior — ou seja, explica por que não cabe perder a esperança. Essa relação de explicação corresponde ao valor de causa.

Gramaticalmente, "porque" funciona como conjunção subordinativa causal, e a oração que ela introduz é uma oração subordinada adverbial causal: apresenta a razão que motiva a oração principal.

Um teste simples: substituir "porque" por "visto que" ou "pois" mantém o sentido de explicação, confirmando o valor causal. Mesmo havendo nuances de hipótese no trecho ("bastariam"), isso não altera a função da oração: ela fornece a causa/justificativa da recomendação contida na oração principal.

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