Questão FC386892
Com licença poética Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Instituto Consulplan · 2025
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
– dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
(PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1995, p.11.)
A vírgula no verso “ora sim, ora não, creio em parto sem dor.” é usada para:
- Separar aposto explicativo.
- Destacar uma enumeração.
- Indicar paralelismo sintático.
- Introduzir uma oração subordinada.
- Marcar uma pausa em elementos de oposição.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A vírgula em “ora sim, ora não, creio em parto sem dor.” serve para marcar uma pausa entre dois termos que se contrapõem.
A locução “ora... ora...” expressa alternância e ideia de oposição — um elemento afirma (“ora sim”), o outro nega ou contrapõe (“ora não”). A vírgula assinala essa mudança, separando semanticamente as duas ocorrências.
Além do efeito rítmico, a pausa torna o sentido mais claro: destaca o contraste e evita ambiguidade na leitura, orientando a entonação do leitor.
Em resumo: a vírgula aqui não isola oração nem enumera; ela sinaliza, de forma sintática e prosódica, a alternância/oposição marcada por “ora sim, ora não”.
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