FC ConcursosFC Concursos

Questão FC386934

Texto para responder à questão A borboleta amarela Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante pensei que fosse uma bruxa ou qualquer outro desses ins

Regência

Instituto Consulplan · 2025

Texto para responder à questão

 

A borboleta amarela

 

Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante pensei que fosse uma bruxa ou qualquer outro desses insetos que fazem vida urbana; mas, como olhasse, vi que era uma borboleta amarela.

 

Era na esquina de Graça Aranha com Araújo Porto Alegre; ela borboleteava junto ao mármore negro do Grande Ponto; depois desceu, passando em face das vitrinas de conservas e uísques; eu vinha na mesma direção; logo estávamos defronte da A.B.I.. Entrou um instante no hall, entre duas colunas; seria uma jornalista? – pensei com certo tédio.

 

Mas logo saiu. E subiu mais alto, acima das colunas, até o travertino encardido. Na rua México eu tive de esperar que o sinal abrisse: ela tocou, fagueira, para o outro lado, indiferente aos carros que passavam roncando sob suas leves asas. Fiquei a olhá-la. Tão amarela e tão contente da vida, de onde vinha, aonde iria? Fora trazida pelo vento das ilhas – ou descera no seu voo sassaricante e leve da floresta da Tijuca ou de algum morro – talvez o de São Bento. Onde estaria uma hora antes, qual sua idade? Nada sei de borboletas. Nascera, acaso, no jardim do Ministério da Educação? Não; o Burle Marx faz bons jardins, mas creio que ainda não os fez com borboletas – o que, aliás, é uma boa ideia. Quando eu o mandar fazer os jardins de meu palácio, direi: Burle, aqui sobre esses manacás, quero uma borboleta amare... Mas o sinal abriu e atravessei a rua correndo, pois já ia perdendo de vista a minha borboleta.

 

A minha borboleta! Isso, que agora eu disse sem querer, era o que eu sentia naquele instante: a borboleta era minha – como se fosse meu cão ou minha amada de vestido amarelo que tivesse atravessado a rua na minha frente, e eu devesse segui- -la. Reparei que nenhum transeunte olhava a borboleta; eles passavam, devagar ou depressa, vendo vagamente outras coisas – as casas, os veículos ou se vendo –, só eu vira a borboleta, e a seguia, com meu passo fiel. Naquele ângulo há um jardinzinho, atrás da Biblioteca Nacional. Ela passou entre os ramos de uma acácia e de uma árvore sem folhas, talvez um “flamboyant”; havia, naquela hora, um casal de namorados pobres em um banco, e dois ou três sujeitos espalhados pelos outros bancos, dos quais uns são de pedra, outros de madeira, sendo que estes são pintados de azul e branco. Notei isso pela primeira vez, aliás, naquele instante, eu que sempre passo por ali; é que a minha borboleta amarela se tornava sensível às cores.

 

Ela borboleteou um instante sobre o casal de namorados; depois passou quase junto da cabeça de um mulato magro, sem gravata, que descansava num banco; e seguiu em direção à Avenida. Amanhã eu conto mais.

 

(BRAGA, Rubem. A Borboleta Amarela. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1963. p. 170-176. Adaptado.)

 

Segundo Celso Cunha, a crase é a contração (fusão) da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”. Esse fenômeno é indicado na escrita pelo acento grave sobre a vogal “a”. Em “[…] é que a minha borboleta amarela se tornava sensível às cores.” (4º§), a crase foi empregada corretamente tal como em:

  1. Lucas pagou suas contas à vista.
  2. Falei à respeito do fato ocorrido.
  3. Iremos verificar as provas uma à uma.
  4. Laura entregou os documentos à mim.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

A

Comentário do professor

Crase é a fusão da preposição "a" com o artigo definido "a". Em "Lucas pagou suas contas à vista", há essa junção: o verbo exige a ideia de modo/condição (preposição a) e o substantivo vista vem acompanhado do artigo feminino a, logo ocorre a contração a + a = à.

A expressão "à vista" funciona como locução adverbial de modo (pagamento imediato) e, por ser formada por substantivo feminino com artigo, exige o acento grave para registrar a crase.

Como teste prático: a forma escrita correta é "à vista" — retirar o acento ou escrever apenas "a vista" não representa a contração exigida pela norma culta.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo