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Questão FC386936

Futuro da Inteligência Artificial e a necessidade da ética relacional para uma governança inclusiva Estamos vivendo a era da datificação, em que todos os aspectos da vida social sã

Concordância (Verbal e Nominal)

Instituto Consulplan · 2025

Futuro da Inteligência Artificial e a necessidade da ética relacional para uma governança inclusiva

 

Estamos vivendo a era da datificação, em que todos os aspectos da vida social são transformados em dados. Esse processo, fundamental para o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), nos promete um futuro onde decisões complexas podem ser automatizadas e otimizadas em uma escala sem precedentes. No entanto, isso frequentemente simplifica a complexidade da vida humana em métricas e números, ignorando as relações e os contextos que tornam cada indivíduo único. Quando esses dados são usados em sistemas de IA, eles podem acabar reforçando as mesmas desigualdades e exclusões que pretendiam resolver.

 

Os dados que alimentam esses sistemas muitas vezes refletem contextos históricos de desigualdade. Como Coté (2022) observa, ao moldar identidades e comportamentos humanos em padrões digitais, a datificação impõe limites às representações, limitando a diversidade de experiências humanas e, em muitos casos, perpetuando estereótipos. Isso pode resultar em decisões enviesadas, criando um ciclo de exclusão e discriminação. Esse desafio nos obriga a questionar a suposta neutralidade dos algoritmos e a refletir sobre como essas decisões automatizadas moldam a sociedade, frequentemente favorecendo certos grupos em detrimento de outros.

 

Pensando em uma governança que seja realmente inclusiva, Browne (2023) propõe a criação de “AI Public Body” – uma entidade pública que permite a participação de cidadãos comuns, especialmente daqueles mais afetados pelas tecnologias de IA, nas decisões sobre o uso dessas tecnologias. Inspirado em modelos de democracia deliberativa, esse corpo incluiria a voz de comunidades diversas, trazendo uma nova perspectiva para as decisões que, até hoje, são dominadas por especialistas técnicos.

 

Esse modelo representa uma mudança significativa na forma como entendemos a governança, enfatizando que a IA não deve ser apenas uma questão de precisão técnica, mas também de justiça e representatividade. A inclusão dessas vozes no processo de governança cria um espaço onde os efeitos sociais das tecnologias podem ser mais bem compreendidos e endereçados, resultando em uma governança que reflete a diversidade da sociedade.

 

A justiça algorítmica muitas vezes é tratada como uma questão de otimização matemática, ajustando dados e métricas para minimizar desigualdades estatísticas. No entanto, como Van Nuenen (2022) aponta, a justiça social na IA deve ir além dos ajustes técnicos, considerando as complexas desigualdades estruturais que esses dados representam. Em vez de se limitar a resultados estatísticos, a justiça social exige uma compreensão mais profunda do impacto das decisões tecnológicas na vida das pessoas.

 

No caso de algoritmos usados em concessão de crédito ou reconhecimento facial, é essencial entender que esses sistemas não operam em um vácuo: eles são parte de uma sociedade com uma longa história de desigualdade. Para que a IA seja realmente justa, ela deve ser projetada com o compromisso de mitigar essas desigualdades, considerando as realidades vividas por comunidades marginalizadas e integrando suas vozes no desenvolvimento e na aplicação dessas tecnologias.

 

(Carine Roos. Em: 08/02/2025. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao. Fragmento.)

 

O livre comentário a seguir, referente ao texto, que apresenta correção gramatical, está indicado em:

  1. A desigualdade é um fator não apenas social, mas também histórica, conforme demonstra suas pesquisas.
  2. Ao reconhecer o histórico de justiça social, assim como a reflexão à realidade, novos debates podem ser estabelecidos.
  3. Em decorrência das consequências do uso descontrolado da inteligência artificial, muitas cidadãos podem ser prejudicados.
  4. As desigualdades e exclusões estruturais que podem vir a ser reforçadas a partir do uso da inteligência artificial é uma realidade.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A frase apresenta um sujeito composto: "As desigualdades e exclusões estruturais", que está no plural. Por isso, o verbo de ligação deve concordar em número com esse sujeito; o uso de "é" (singular) está inadequado.

A oração adjetiva "que podem vir a ser reforçadas a partir do uso da inteligência artificial" apenas caracteriza o sujeito e não altera sua concordância. Assim, o verbo deve aparecer no plural: "são".

Forma correta e concisa: As desigualdades e exclusões estruturais que podem vir a ser reforçadas a partir do uso da inteligência artificial são uma realidade. Essa redação preserva a concordância gramatical e mantém o sentido crítico do enunciado.

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