FC ConcursosFC Concursos

Questão FC386992

Futuro da Inteligência Artificial e a necessidade da ética relacional para uma governança inclusiva Estamos vivendo a era da datificação, em que todos os aspectos da vida social sã

Interpretação de Textos (Compreensão)

Instituto Consulplan · 2025

Futuro da Inteligência Artificial e a necessidade da ética relacional para uma governança inclusiva

 

Estamos vivendo a era da datificação, em que todos os aspectos da vida social são transformados em dados. Esse processo, fundamental para o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), nos promete um futuro onde decisões complexas podem ser automatizadas e otimizadas em uma escala sem precedentes. No entanto, isso frequentemente simplifica a complexidade da vida humana em métricas e números, ignorando as relações e os contextos que tornam cada indivíduo único. Quando esses dados são usados em sistemas de IA, eles podem acabar reforçando as mesmas desigualdades e exclusões que pretendiam resolver.

 

Os dados que alimentam esses sistemas muitas vezes refletem contextos históricos de desigualdade. Como Coté (2022) observa, ao moldar identidades e comportamentos humanos em padrões digitais, a datificação impõe limites às representações, limitando a diversidade de experiências humanas e, em muitos casos, perpetuando estereótipos. Isso pode resultar em decisões enviesadas, criando um ciclo de exclusão e discriminação. Esse desafio nos obriga a questionar a suposta neutralidade dos algoritmos e a refletir sobre como essas decisões automatizadas moldam a sociedade, frequentemente favorecendo certos grupos em detrimento de outros.

 

Pensando em uma governança que seja realmente inclusiva, Browne (2023) propõe a criação de “AI Public Body” – uma entidade pública que permite a participação de cidadãos comuns, especialmente daqueles mais afetados pelas tecnologias de IA, nas decisões sobre o uso dessas tecnologias. Inspirado em modelos de democracia deliberativa, esse corpo incluiria a voz de comunidades diversas, trazendo uma nova perspectiva para as decisões que, até hoje, são dominadas por especialistas técnicos.

 

Esse modelo representa uma mudança significativa na forma como entendemos a governança, enfatizando que a IA não deve ser apenas uma questão de precisão técnica, mas também de justiça e representatividade. A inclusão dessas vozes no processo de governança cria um espaço onde os efeitos sociais das tecnologias podem ser mais bem compreendidos e endereçados, resultando em uma governança que reflete a diversidade da sociedade.

 

A justiça algorítmica muitas vezes é tratada como uma questão de otimização matemática, ajustando dados e métricas para minimizar desigualdades estatísticas. No entanto, como Van Nuenen (2022) aponta, a justiça social na IA deve ir além dos ajustes técnicos, considerando as complexas desigualdades estruturais que esses dados representam. Em vez de se limitar a resultados estatísticos, a justiça social exige uma compreensão mais profunda do impacto das decisões tecnológicas na vida das pessoas.

 

No caso de algoritmos usados em concessão de crédito ou reconhecimento facial, é essencial entender que esses sistemas não operam em um vácuo: eles são parte de uma sociedade com uma longa história de desigualdade. Para que a IA seja realmente justa, ela deve ser projetada com o compromisso de mitigar essas desigualdades, considerando as realidades vividas por comunidades marginalizadas e integrando suas vozes no desenvolvimento e na aplicação dessas tecnologias.

 

(Carine Roos. Em: 08/02/2025. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao. Fragmento.)

 

Acerca das informações e ideias apresentadas no último parágrafo do texto, é INCORRETO afirmar que:

  1. Há uma coordenação lógica e específica que direciona os algoritmos utilizados em sistemas de IA.
  2. A desigualdade histórica existente na sociedade incide de alguma forma em sistemas que operam com inteligência artificial.
  3. Há questões subjetivas a serem refletidas e ações relacionadas a serem colocadas em prática mediante propósitos de melhoria de tecnologias.
  4. A integração de segmentos que representam diferentes realidades por meio da IA pode promover um distanciamento cada vez maior entre a sociedade em sua totalidade.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

D

Comentário do professor

A afirmação é incorreta porque contraria o núcleo do último parágrafo: a integração de segmentos diversos via IA busca exatamente a aproximação social, não o distanciamento.

O texto sustenta que projetar sistemas com o compromisso de mitigar desigualdades e incluir vozes de comunidades marginalizadas torna a governança mais representativa e responsiva às realidades plurais.

Ao incorporar diferentes experiências e contextos no desenvolvimento e na aplicação da IA, reduz-se o risco de reprodução de vieses e exclusões, promovendo decisões mais justas e legitimadas socialmente.

Portanto, afirmar que essa integração aumenta o afastamento social ignora o objetivo central do texto: construir uma governança de IA inclusiva e orientada pela justiça social.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo