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Questão FC387002

É normal, quando você vê uma criança bonita, dizer “mas que linda”, “que olhos lindos”, ou coisas no gênero. Mas esses elogios, que fazemos tão naturalmente quando se trata de uma

Interpretação de Textos (Compreensão)

Instituto Consulplan · 2025

Prazeres mútuos

É normal, quando você vê uma criança bonita, dizer “mas que linda”, “que olhos lindos”, ou coisas no gênero. Mas esses elogios, que fazemos tão naturalmente quando se trata de uma criança ou até de um cachorrinho, dificilmente fazemos a um adulto. Isso me ocorreu quando outro dia conheci, no meio de várias pessoas, uma moça que tinha cabelos lindos. Apesar da minha admiração, fiquei calada, mas percebi minha dificuldade, que aliás não é só minha, acho que é geral. D) Por que eu não conseguia elogiar seus cabelos?

 

Fiquei remoendo meus pensamentos (e minha dificuldade), fiz um esforço (que não foi pequeno) e consegui dizer: “que cabelos lindos você tem”. Ela, que estava séria, abriu um grande sorriso, toda feliz, e sem dúvida passou a gostar um pouquinho de mim naquele minuto, mesmo que nunca mais nos vejamos.

 

Fiquei pensando: é preciso se exercitar e dizer coisas boas às pessoas, homens e mulheres, quando elas existem. Não sei a quem faz mais bem, se a quem ouve ou a quem diz; mas por que, por que, essa dificuldade? Será falta de generosidade? Inveja? Inibição? Há quanto tempo ninguém diz que você está linda ou que tem olhos lindos, como ouvia quando criança? C) Nem mesmo quando um homem está paquerando uma mulher ele costuma fazer um elogio, só alguns, mais tarde, num momento de intimidade e quando é uma bobagem, como “você tem um pezinho lindo”. Mas sentar numa mesa para jantar pela primeira vez, só os dois, e dizer, com naturalidade, “que olhos lindos você tem”, é difícil de acontecer.

 

Notar alguma coisa de errado é fácil; não se diz a ninguém que ele tem o nariz torto, mas, se for alguém que estiver em outra mesa, o comentário é espontâneo e inevitável.

 

Podemos ouvir que a alça do sutiã está aparecendo ou que o rímel escorreu, mas há quanto tempo você não ouve de um homem que tem braços lindos? A não ser que você seja modelo ou miss – e aí é uma obrigação elogiar todas as partes do seu corpo –, os homens não elogiam mais as mulheres, aliás, ninguém elogia ninguém.

 

E é tão bom receber um elogio; A) o da amiga que diz que você está um arraso já é ótimo, mas, de uma pessoa que você acabou de conhecer e que talvez não veja nunca mais, aquele elogio espontâneo e sincero, é das melhores coisas da vida.

 

Fique atenta; quando chegar a um lugar e conhecer pessoas novas, alguma coisa de alguma delas vai chamar a sua atenção e sua tendência será, como sempre, ficar calada. Pois não fique. Faça um pequeno esforço e diga alguma coisa que você notou e gostou; o quanto a achou simpática, como parece tranquila, como seu anel é lindo, qualquer coisa.

 

Todas as pessoas do mundo têm alguma coisa de bom e bonito, B) nem que seja a expressão do olhar, e ouvir isso, sobretudo de alguém que nunca se viu, é sempre muito bom.

 

Existe gente que faz disso uma profissão, e passa a vida elogiando os outros, mas não é delas que estamos falando. Só vale se for de verdade, e se você começar a se exercitar nesse jogo e, com sinceridade, elogiar o que merece ser elogiado, irá espalhando alegrias e prazeres por onde passar, que fatalmente reverterão para você mesma, porque a vida costuma ser assim.

 

Apesar de a vida ter me mostrado que nem sempre é assim, continuo acreditando no que aprendi na infância, e isso me faz muito bem. E)

 

(Danuza Leão. Folha de S. Paulo. Cotidiano. Em: novembro de 2005.)

 

Embora o foco do texto seja evidenciar a importância de se dizer coisas boas às pessoas, percebe-se que, em alguns momentos, a autora busca pela objetividade, focando em detalhes factuais e concretos. Assinale a opção que confirma essa afirmação.

  1. “E é tão bom receber um elogio; [...]” (6º§)
  2. “Todas as pessoas do mundo têm alguma coisa de bom e bonito, [...]” (8º§)
  3. “Há quanto tempo ninguém diz que você está linda ou que tem olhos lindos, como ouvia quando criança?” (3º§)
  4. “Apesar da minha admiração, fiquei calada, mas percebi minha dificuldade, que aliás não é só minha, acho que é geral.” (1º§)
  5. “Apesar de a vida ter me mostrado que nem sempre é assim, continuo acreditando no que aprendi na infância, e isso me faz muito bem.” (11º§)
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Gabarito

B

Comentário do professor

A frase citada serve como evidência de que a autora não trabalha só com emoção: ela aponta para um princípio observável e prático. Ao afirmar que “todas as pessoas do mundo têm alguma coisa de bom e bonito”, o enunciado funciona como uma regra aplicável, não apenas um apelo sentimental.

Além disso, a continuação “nem que seja a expressão do olhar” traz um exemplo concreto e perceptível, transferindo a afirmação do campo das ideias para o das características observáveis. Isso é marca de objetividade.

Portanto, a citação demonstra que a autora recomenda elogios baseados em traços reais que qualquer pessoa pode notar, aproximando seu discurso de um conselho prático e verificável, e não só de um enunciado emocional.

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