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Questão FC387023

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim lev

Interpretação de Textos (Compreensão)

Instituto Consulplan · 2025

O amor não acaba, nós é que mudamos

 

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

 

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são substituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado a nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantêm os mesmos.

 

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

 

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

 

(MEDEIROS, Martha. Almas gêmeas. Em: outubro de 2022.)

 

Após a leitura do texto de Martha Medeiros, é possível afirmar que:

  1. Devido às mudanças de concepções sobre a vida o amor se encerra.
  2. Assim como há tantas modificações no decorrer da vida, o amor também chega ao fim.
  3. Mesmo com o decorrer do tempo, as pessoas, as vontades e os objetivos são os mesmos.
  4. O amor é algo que não se finda, porém sua intensidade é transformada ao longo do tempo.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa está correta porque o texto de Martha Medeiros afirma que o amor não desaparece, mas sofre alterações conforme mudam nossas expectativas, necessidades e experiências. A autora diferencia paixão — que pode terminar — do amor, que permanece mesmo quando deslocado do centro da vida.

O texto explica que, com o tempo, o sentimento é amoldado às nossas carências e que essas carências se transformam: assim, a intensidade e a forma de viver o amor se modificam, ora renovando-se, ora sendo relegadas a um "quartinho dos fundos".

Portanto, a ideia de que o amor não se finda, mas tem sua intensidade transformada ao longo do tempo, sintetiza a tese central do texto.

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