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Questão FC387026

Furto de flor Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava f

Interpretação de Textos (Compreensão)

Instituto Consulplan · 2025

Furto de flor

 

Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!

(Carlos Drummond de Andrade – Contos Plausíveis, 1985.)

 

Com base na interpretação do texto, é possível inferir que:

  1. A crônica tem como tema central a beleza das flores na perspectiva do personagem.
  2. O autor tem a intenção de ilustrar uma atitude corriqueira – a de furtar flores em jardins alheios para enfeitar a casa.
  3. Através da crônica, o autor convida o leitor a refletir sobre a passagem do tempo, a fragilidade e a efemeridade da vida.
  4. O personagem da crônica resolveu devolver a flor ao jardim, pois se arrependeu de tê-la retirado sem a permissão do porteiro do edifício enquanto ele cochilava.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

O texto usa a imagem da flor furtada como metáfora da vida humana: ao retirá-la do jardim, o eu narrativo interrompe seu curso natural e passa a experimentar a tensão entre cuidado e impotência diante do declínio.

As ações — levar para casa, tentar conservar, ver murchar e devolver — representam a passagem do tempo e o esforço inútil de deter o processo vital.

O porteiro que chama o retorno de “lixo” ressalta a incompreensão social ante a morte e a perda, enfatizando a fragilidade do que é belo e fugaz.

Assim, a crônica convida o leitor a refletir sobre a efemeridade da existência e sobre a responsabilidade emocional diante do inevitável término das coisas vivas.

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