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Questão FC387239

Se, em todo o mundo, agências reguladoras estabelecem que nenhum novo teste diagnóstico ou tratamento é aprovado sem estudos bem estruturados e revisados por pares, por que aceitar

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

Instituto Consulplan · 2025

Por uma revolução na saúde sem prescindir de nossos princípios

 

A quarta revolução industrial inicia-se impulsionada pela inteligência artificial (IA), pela análise de dados em larga escala e pela automação avançada. Essa nova era vem redesenhando a forma como produzimos, nos comunicamos e, cada vez mais, como cuidamos da saúde. Diagnósticos mais rápidos e precisos, terapias personalizadas, otimização de processos hospitalares, e a previsão de surtos com antecedência. Uma promessa tentadora de eficiência, precisão e vidas salvas.

 

Entretanto, diante das sempre deslumbrantes promessas tecnológicas, surge uma pergunta urgente e necessária: como garantir que essas ferramentas, tão poderosas quanto pouco transparentes, realmente apresentam a eficácia prometida? E mais: que funcionam com segurança, ética e equidade?

 

Se em muitas áreas o objetivo das decisões é maximizar o lucro, na saúde, cada decisão carrega o peso da vida de um ser humano, com laços afetivos e papéis sociais. Por isso, a incorporação de tecnologias de IA precisa ser pautada, antes de qualquer entusiasmo, por princípios éticos e científicos.

 

Apesar dos inúmeros lançamentos de soluções baseadas em IA na saúde, a imensa maioria entra no mercado com evidências frágeis: sem estudos comprovando sua eficácia ou segurança, ausência de revisões independentes, sem demonstrar cumprir critérios mínimos para determinarem decisões clínicas. Não é raro encontrar algoritmos treinados em bases de dados limitadas, que funcionam bem em ambientes controlados, mas falham quando expostos à complexidade do mundo real – especialmente quando lidam com diferentes populações e dimensões de valor.

 

Se, em todo o mundo, agências reguladoras estabelecem que nenhum novo teste diagnóstico ou tratamento é aprovado sem estudos bem estruturados e revisados por pares, por que aceitaríamos menos de uma ferramenta de IA que influencia diagnósticos e decisões terapêuticas?

 

É preciso exigir que a IA na saúde siga, ao menos, os mesmos princípios da medicina baseada em evidências: estudos metodologicamente robustos, amostras representativas, reprodutibilidade dos resultados e avaliações independentes. O fascínio pela inovação e rapidez de resultados não pode obscurecer nossa responsabilidade com bem-estar social.

 

Essa exigência é ainda mais crucial, porque a IA generativa, ao contrário de uma tecnologia passiva, aprende, se atualiza, se transforma. Um algoritmo aprovado hoje pode apresentar comportamentos diferentes amanhã. Isso impõe a necessidade de evidências e monitoramento contínuo, avaliando não apenas a performance técnica, mas também garantindo a ética e a equidade na assistência aos pacientes ao longo do tempo.

 

A promessa da IA na saúde não está completa sem um compromisso com a inclusão e acessibilidade. É crucial que seus avanços beneficiem a todos, independentemente da localização geográfica ou condição socioeconômica.

 

A inteligência artificial tem potencial para revolucionar a saúde. Mas toda revolução que ignora a ética e a ciência, cedo ou tarde, cobra um preço alto. Se quisermos que essa revolução realmente floresça em benefício das pessoas e da sociedade, precisamos agir agora, com responsabilidade. É urgente prevenir para que a IA, tão cheia de promessas, não repita a velha tragédia das revoluções que, cegas pela pressa, acabam prescindindo de seus princípios.

 

(Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br. Acesso em: junho de 2025. Fragmento.)

 

Analise as afirmativas e assinale a correta.

  1. No 3º§, a locução “por isso” introduz a causa do que foi dito no início do parágrafo.
  2. No 7º§, a locução “mas também” acrescenta uma informação ao que foi dito anteriormente.
  3. Entre o 2º§ e o 1º§ há uma relação de concordância, sendo que o 2º§ conclui o que é exposto no 1º§.
  4. O 4º§ é introduzido pela locução “Apesar dos” – uma forma reduzida de “apesar de os”, que acrescenta uma informação em conformidade com o que foi dito no 3º§.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A locução “mas também”, no 7º parágrafo, age para acrescentar informação ao que foi afirmado antes. Ela integra a estrutura correlativa “não apenas... mas também...”, que combina uma negação parcial com uma adição.


Gramaticalmente, “mas” aqui não atua isoladamente como adversativa plena, mas faz parte do par coordenador que introduz o elemento suplementar (garantir ética e equidade), ampliando o conteúdo expresso pela primeira parte (avaliar a performance técnica).


Semânticamente, a locução amplia o campo da exigência: além da avaliação técnica, exige-se também o monitoramento ético e equitativo — ou seja, acrescenta e enfatiza uma obrigação complementar, confirmando a função aditiva indicada na alternativa.

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