FC ConcursosFC Concursos

Questão FC387356

A piscina Era uma esplêndida residência, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e tendo ao lado uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastra

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

Instituto Consulplan · 2025

A piscina

 

Era uma esplêndida residência, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e tendo ao lado uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem. Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e magras, lata d’água na cabeça. De vez em quando surgia sobre a grade a carinha de uma criança, olhos grandes e atentos, espiando o jardim. Outras vezes eram as próprias mulheres que se detinham e ficavam olhando.

 

Naquela manhã de sábado ele tomava seu gim-tônica no terraço, e a mulher um banho de sol, estirada, de maiô à beira da piscina, quando perceberam que alguém os observava pelo portão entreaberto.

 

Era um ser encardido, cujos mulambos em forma de saia não bastavam para defini-la como mulher. Segurava uma lata na mão, e estava parada, à espreita, silenciosa como um bicho. Por um instante as duas mulheres se olharam, separadas pela piscina. De súbito, pareceu à dona da casa que a estranha criatura se esgueirava, portão adentro, sem tirar os olhos dela. Ergueu-se um pouco, apoiando-se no cotovelo e viu com terror que ela se aproximava lentamente: já transpusera o gramado, atingia a piscina, agachava-se junto à borda de azulejo, sempre a olhá-la, em desafio e agora colhia água com a lata. Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabeça – e em pouco sumia-se pelo portão.

 

Lá no terraço, o marido, fascinado, assistiu a toda a cena. Não durou mais de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra como os instantes tensos de silêncio e de paz que antecedem um combate. Não teve dúvida: na semana seguinte vendeu a casa.

 

(SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro, 1976.

 

Releia os trechos a seguir:

 

Lá no terraço, o marido, fascinado, assistiu a toda a cena. Não durou mais de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra como os instantes tensos de silêncio e de paz que antecedem um combate.”  “Não teve dúvida: na semana seguinte vendeu a casa.” 

 

É possível inferir que a casa foi vendida por que:

  1. O episódio fez com que os donos da casa temessem os moradores da favela.
  2. A rápida invasão pela moradora da favela demonstrou uma possível disputa por água limpa – essencial para a vida.
  3. Os moradores da favela planejavam invasões maiores, uma verdadeira guerra entre pobres e ricos causada pela inveja.
  4. A falta e a precariedade de serviços básicos, como saneamento e água potável, justificaram a busca por alternativas de nova moradia.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa está correta porque o texto estabelece, de forma direta, a relação causal entre o episódio e a atitude dos donos: a cena provoca uma reação de medo. A frase "pareceu sinistra como os instantes tensos... que antecedem um combate" descreve a percepção de ameaça que tomou o marido; a mulher sente terror.

O comportamento do casal — observação angustiada e sensação de perigo — justifica a decisão imediata: "Não teve dúvida: na semana seguinte vendeu a casa". O verbo e a expressão temporal vinculam causa (o episódio) e efeito (venda).

Portanto, inferimos que a casa foi vendida porque o episódio fez com que os donos temessem os moradores da favela, isto é, por receio diante do suposto risco representado pela visitante.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo