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Questão FC387369

Leia o texto a seguir para responder a questão a seguir. Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que já se passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas de fazer bal

Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))

Instituto Consulplan · 2025

Leia o texto a seguir para responder a questão a seguir.  

 

Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que já se passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos; uns com os outros acho que nem se misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo coisas de rasa importância. Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras de recente data. Toda saudade é uma espécie de velhice. Talvez, então, a melhor coisa seria contar a infância não como um filme em que a vida acontece no tempo, uma coisa depois da outra, na ordem certa, sendo essa conexão que lhe dá sentido, princípio, meio e fim, mas como um álbum de retratos, cada um completo em si mesmo, cada um contendo o sentido inteiro. Talvez seja esse o jeito de escrever sobre a alma em cuja memória se encontram as coisas eternas, que permanecem...

 

(Guimarães Rosa apud Rubem Alves. Na morada das palavras. Campinas: Papirus, 2023. p. 139. Adaptado.)

 

No texto apresentado, é possível reconhecer a ocorrência do vocábulo “talvez” duas vezes, que indica:

  1. Certo constrangimento diante do interlocutor.
  2. Estratégia argumentativa para atrair a atenção do interlocutor.
  3. Dúvida do enunciador quanto às experiências vividas na infância.
  4. Uma possibilidade de entendimento, ponto de vista, sobre o assunto apresentado.
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Gabarito

D

Comentário do professor

"Talvez" funciona aqui como marca de possibilidade e de ponto de vista: o enunciador não apresenta uma verdade absoluta, mas uma hipótese sobre a melhor maneira de narrar a infância.


Do ponto de vista linguístico, trata‑se de modalidade epistêmica — expressão de incerteza ou de julgamento pessoal — que torna a afirmação conjectural e provisória. Ao usar "talvez" o narrador sinaliza que está oferecendo uma interpretação, não uma conclusão definitiva.


A repetição do vocábulo reforça essa atitude cautelosa e subjetiva, convidando o leitor a aceitar ou contestar a proposta. Em suma, "talvez" introduz uma leitura possível, suave e aberta, atenuando a assertividade e privilegiando a reflexão pessoal sobre o tema.

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