Questão FC387407
O açúcar O branco açúcar que adoçará meu café nesta manhã de Ipanema não foi produzido por mim nem surgiu dentro do açucareiro por milagre. Vejo-o puro e afável ao paladar como bei
Questões sem classificação de assunto (Língua Portuguesa (Português))
Instituto Consulplan · 2025
O açúcar
O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor que se dissolve na boca. Mas este açúcar,
não foi feito por mim.
Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
dono da mercearia.
Este açúcar veio de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não crescem por acaso
no regaço do vale.
Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos vinte e sete anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.
Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
(GULLAR, F. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 227-228.)
Na frase “Vejo-o puro e afável ao paladar como beijo de moça, água na pele, flor que se dissolve na boca.” , os termos estão empregados em sentido:
- Literal, destacando a doçura do açúcar.
- Denotativo, descrevendo as propriedades do açúcar.
- Técnico, relacionado ao processamento industrial do açúcar.
- Conotativo, evocando sensações e emoções associadas ao açúcar.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Conotativo. Na frase “Vejo-o puro e afável ao paladar como beijo de moça, água na pele, flor que se dissolve na boca”, as expressões não descrevem o açúcar de forma literal, mas transferem-lhe qualidades sensoriais e afetivas por meio de imagens.
Ao empregar comparações e metáforas, o poeta cria imagens sensoriais — gosto, tato, olfato — e promove uma sinestesia, misturando sensações para intensificar a experiência do leitor.
Esse uso tem efeito emocional: o açúcar deixa de ser apenas produto e torna-se símbolo de doçura, delicadeza e até de memória afetiva. Assim, a linguagem funciona predominantemente em nível conotativo, evocando sensações e emoções associadas ao açúcar.
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