Questão FC408606
Irmãos em livros Outro dia, num táxi, o motorista me disse que “gostava de ler” e comprava “muitos livros”. Dei-lhe parabéns e perguntei qual era sua livraria favorita. Respondeu q
Semântica
Irmãos em livros
Outro dia, num táxi, o motorista me disse que “gostava de ler” e comprava “muitos livros”. Dei-lhe parabéns e perguntei qual era sua livraria favorita. Respondeu que “gostava de todas”, mas, de há alguns anos, só comprava livros pela internet. Ah, sim? Comentei que também gostava de todos os táxis, mas, a partir dali, passaria a usar apenas o serviço de aplicativos. Ele diminuiu a marcha, como se processasse a informação. Virou-se para mim e disse: “Entendi. O senhor tem razão”.
Tenho amigos que não leem e não frequentam livrarias. Não são pessoas primitivas ou despreparadas – apenas não têm a bênção de conviver com as palavras. Posso muito bem entendê-las porque também não tenho o menor interesse por automóveis, pela alta cozinha ou pelo mundo digital – nunca dirigi um carro, acho que qualquer prato melhora com um ovo frito por cima e, quando me mostram alguma coisa num smartphone, vou de dedão sem querer e mando a imagem para o espaço. Nada disso me faz falta, assim como o livro e a livraria a eles.
No entanto, quando entro numa livraria, pergunto-me que outro lugar pode ser tão fascinante. São milhares de livros à vista, cada qual com um título, um design, uma personalidade. São romances, biografias, ensaios, poesia, livros de história, de fotos, de autoajuda, infantis, o que você quiser. O que se despendeu de esforço intelectual para produzi-los e em tal variedade é impossível de quantificar. Cada livro, bom ou mau, medíocre ou brilhante, exigiu o melhor que cada autor conseguiu dar.
Uma livraria é um lugar de congraçamento*. Todos ali somos irmãos na busca de algum tipo de conhecimento. E, como este é infinito, não nos faltarão irmãos para congraçar. Aliás, quanto mais se aprende, mais se vai às livrarias.
Lá dentro, ninguém nos obriga a comprar um livro. Mas os livros parecem saber quem somos e, inevitavelmente, um deles salta da pilha para as nossas mãos.
(Ruy Castro, Folha de S.Paulo, 07.12.2018. Adaptado)
Os termos em destaque nas frases – “Ele diminuiu a marcha, como se processasse a informação.” / “Não são pessoas primitivas ou despreparadas…” – apresentam sinônimos adequados ao contexto em:
- verificasse; antiquadas.
- recebesse; incomuns.
- refutasse; incultas.
- percebesse; insolentes.
- complicasse; rudes.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Na primeira oração, o verbo processasse é usado no sentido de examinar/averiguar. Substituir por verificasse mantém esse sentido: “como se verificasse a informação” = como se a examinasse para confirmar ou conferir, preservando a ideia de ação mental e observação cuidadosa.
Na segunda ocorrência, o adjetivo primitivas qualifica um tipo de atitude cultural, não falta de instrução. No contexto — pessoas que não frequentam livrarias nem leem — a palavra refere-se a hábitos considerados ultrapassados ou fora da norma cultural vigente. Assim, antiquadas expressa adequadamente a ideia de algo ultrapassado ou arcaico no comportamento.
Portanto, as opções verificasse e antiquadas preservam a intenção original do texto e são sinônimos adequados aos trechos destacados.
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