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Questão FC408607

Irmãos em livros Outro dia, num táxi, o motorista me disse que “gostava de ler” e comprava “muitos livros”. Dei-lhe parabéns e perguntei qual era sua livraria favorita. Respondeu q

Semântica

VUNESP

Irmãos em livros


Outro dia, num táxi, o motorista me disse que “gostava de ler” e comprava “muitos livros”. Dei-lhe parabéns e perguntei qual era sua livraria favorita. Respondeu que “gostava de todas”, mas, de há alguns anos, só comprava livros pela internet. Ah, sim? Comentei que também gostava de todos os táxis, mas, a partir dali, passaria a usar apenas o serviço de aplicativos. Ele diminuiu a marcha, como se processasse a informação. Virou-se para mim e disse: “Entendi. O senhor tem razão”.


Tenho amigos que não leem e não frequentam livrarias. Não são pessoas primitivas ou despreparadas – apenas não têm a bênção de conviver com as palavras. Posso muito bem entendê-las porque também não tenho o menor interesse por automóveis, pela alta cozinha ou pelo mundo digital – nunca dirigi um carro, acho que qualquer prato melhora com um ovo frito por cima e, quando me mostram alguma coisa num smartphone, vou de dedão sem querer e mando a imagem para o espaço. Nada disso me faz falta, assim como o livro e a livraria a eles.


No entanto, quando entro numa livraria, pergunto-me que outro lugar pode ser tão fascinante. São milhares de livros à vista, cada qual com um título, um design, uma personalidade. São romances, biografias, ensaios, poesia, livros de história, de fotos, de autoajuda, infantis, o que você quiser. O que se despendeu de esforço intelectual para produzi-los e em tal variedade é impossível de quantificar. Cada livro, bom ou mau, medíocre ou brilhante, exigiu o melhor que cada autor conseguiu dar.


Uma livraria é um lugar de congraçamento*. Todos ali somos irmãos na busca de algum tipo de conhecimento. E, como este é infinito, não nos faltarão irmãos para congraçar. Aliás, quanto mais se aprende, mais se vai às livrarias.


Lá dentro, ninguém nos obriga a comprar um livro. Mas os livros parecem saber quem somos e, inevitavelmente, um deles salta da pilha para as nossas mãos.


(Ruy Castro, Folha de S.Paulo, 07.12.2018. Adaptado)

 

Considere o sentido contrário expresso pelos seguintes pares de palavras:

 

  • Cada livro, bom ou mau, medíocre ou brilhante, exigiu o melhor…


Essa mesma relação de sentido pode ser verificada no par de palavras:

  1. inevitavelmente / conveniente.
  2. despreparadas / instruídas.
  3. fascinante / inconsistente.
  4. favorita / mensurável.
  5. melhor / inapropriado.
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Gabarito

B

Comentário do professor

No trecho "Não são pessoas primitivas ou despreparadas – apenas não têm a bênção de conviver com as palavras.", o autor emprega despreparadas no sentido de pessoas sem preparo ou sem instrução formal.

O par solicitado exige um termo que expresse sentido contrário, ou seja, uma relação de antonímia por oposição direta. Assim, instruídas indica justamente o oposto: indivíduos com preparo, formação ou conhecimento adquirido, tornando-a a escolha adequada para contrapor despreparadas.

Portanto, a alternativa B é correta porque restitui o sentido inverso contextual e semanticamente consistente ao termo destacado no texto.

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