Questão FC408611
Leia o texto, para responder a questão abaixo. Redes pessoais e vulnerabilidade social Redes sociais têm sido cada vez mais consideradas como elementos importantes na construção de
Semântica
Leia o texto, para responder a questão abaixo.
Redes pessoais e vulnerabilidade social
Redes sociais têm sido cada vez mais consideradas como elementos importantes na construção de uma grande variedade de processos, desde a mobilização política em movimentos sociais ou partidos políticos, até as ações e a estrutura de relações formais e informais entre as elites políticas e econômicas ou na estruturação de áreas de políticas públicas, entre muitos outros temas. Número significativo de estudos tem examinado as redes pessoais, aquelas que cercam os indivíduos em particular. Essas análises visam a estudar os efeitos da sociabilidade de diversos grupos sociais, para compreender como os laços sociais são construídos e transformados e suas consequências para fenômenos como integração social, imigração e apoio social.
No caso específico da pobreza, a literatura tem estabelecido de forma cada vez mais eloquente como tais redes medeiam o acesso a recursos materiais e imateriais e, ao fazê-lo, contribuem de forma destacada para a reprodução das condições de privação e das desigualdades sociais. A integração das redes ao estudo da pobreza pode permitir a construção de análises que escapem dos polos analíticos da responsabilização individual dos pobres por sua pobreza (e seus atributos), assim como de análises sistêmicas que foquem apenas os macroprocessos e constrangimentos estruturais que cercam o fenômeno.
A literatura brasileira sobre o tema tem sido marcada por uma oposição entre enfoques centrados nesses dois campos, embora os últimos anos tenham assistido a uma clara hegemonia dos estudos baseados em atributos e ações individuais para a explicação da pobreza. Parece-nos evidente que tanto constrangimentos e processos supraindividuais (incluindo os econômicos) quanto estratégias e credenciais dos indivíduos importam para a constituição e a reprodução de situações de pobreza. Entretanto, essas devem ser analisadas no cotidiano dos indivíduos, de maneira que compreendamos de que forma medeiam o seu acesso a mercados, ao Estado e às trocas sociais que provêm bem-estar.
(Eduardo Marques, Gabriela Castello e Renata M. Bichir.
Revista USP, no 92, 2011-2012. Adaptado)
Para responder a questão abaixo, considere esta passagem do texto:
(I) A literatura brasileira sobre o tema tem sido marcada por uma oposição entre enfoques centrados nesses dois campos,
(II) embora os últimos anos tenham assistido
(III) a uma clara hegemonia dos estudos baseados em atributos e ações individuais
(IV) para a explicação da pobreza.
As palavras “hegemonia” e “atributos” têm sinônimos adequados ao contexto em:
- supremacia e concessões.
- preponderância e peculiaridades.
- identidade e qualidades.
- disparidade e valores.
- decadência e atrativos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Na frase em análise, a palavra hegemonia transmite a ideia de predominância ou maior influência entre enfoques. Assim, o sinônimo adequado é preponderância, que mantém o sentido de superioridade relativa e se ajusta ao registro acadêmico do texto.
Quanto a atributos, trata‑se de traços ou características que distinguem indivíduos. O termo peculiaridades conserva esse conteúdo sem alterar a nuance: aponta para aspectos singulares que fundamentam explicações centradas na ação individual.
Substituindo, tem‑se: "a uma clara preponderância dos estudos baseados em peculiaridades e ações individuais", frase que preserva coerência, concordância e o tom analítico do original.
Em suma, preponderância e peculiaridades são sinônimos precisos e contextualmente apropriados para os termos do enunciado.
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