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Questão FC408632

A cada governo que entra, o assunto educação deixa os holofotes provisórios da campanha eleitoral, onde costuma desfilar na linha de frente das promessas dos candidatos, e volta à

Semântica

VUNESP

A cada governo que entra, o assunto educação deixa os holofotes provisórios da campanha eleitoral, onde costuma desfilar na linha de frente das promessas dos candidatos, e volta à triste prateleira dos problemas que se arrastam sem solução. Desta vez foi diferente: encerrada a votação, a educação prosseguiu na pauta de discussões acirradas. Infelizmente, o saldo da agitação não gira em torno de nenhuma providência capaz de pôr o ensino do Brasil nos trilhos da excelência – a real prioridade.

 

A questão da hora é o projeto que pretende legislar sobre o que o professor pode ou, principalmente, não pode falar em sala de aula. Com o propósito de impedir a doutrinação, por professores, em classe, o projeto ameaça alimentar o oposto do que propõe: censura, patrulhamento, atitudes retrógradas e pensamento estreito. Segundo o especialista em educação Claudio de Moura Castro, não há como definir o que é variedade de pensamento e o que é proselitismo.

 

Fruto do ambiente polarizado da sociedade brasileira, a discussão entrou pela porta da frente das escolas. Nesse clima de paixões exaltadas, no entanto, é preciso um esforço adicional para separar o joio do trigo. A doutrinação em sala de aula é condenável sob todos os aspectos – seja de esquerda ou de direita, religiosa ou ateia, ou de qualquer outra natureza. A escola é um lugar para o debate livre das ideias, e não para o proselitismo.

 

Todo conhecimento é socialmente construído e, portanto, a aventura humana, por definição, nunca é neutra ou isenta de valores. A saída é discutir e chegar a um consenso sobre o que precisa ser apresentado ao aluno, e não vigiar e punir.

 

Doutrinar é expor ideias e opiniões com o propósito de convencer o outro. A todo bom professor cabe estimular o confronto de ideias e o livre pensar, inclusive expressando seu ponto de vista, mas não catequizar – uma linha fina que exige discernimento constante.

 

O mundo é diverso em múltiplos aspectos, e a escola é o lugar adequado para que essa diversidade seja discutida livremente. A melhor escola ainda é a que faz pensar – sem proselitismo.

 

(Fernando Molica, Luisa Bustamante e Maria Clara Vieira,

Meia-volta, volver. Veja, 14.11.2018. Adaptado)

 

 

As palavras “acirradas” (1º parágrafo) e “retrógradas” (2º parágrafo) têm antônimos, respectivamente, em:

  1. aguçadas e renovadoras.
  2. retiradas e retrospectivas.
  3. censuradas e incrementadas.
  4. flexibilizadas e tolerantes.
  5. abrandadas e progressistas.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Acirradas descreve discussões intensas, exaltadas. Como antônimo adequado, abrandadas indica que algo foi suavizado ou mitigado, isto é, perdeu intensidade.

Retrógradas qualifica atitudes ou ideias que retrocedem, que resistem à mudança. O oposto semântico é progressistas, que designa posições que promovem avanço, inovação e abertura ao novo.

No enunciado, as expressões aparecem no plural e feminino (“acirradas”, “retrógradas”); os antônimos da alternativa E mantêm essa concordância (abrandadas, progressistas), além de preservarem o contraste de sentido exigido pela questão.

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