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Questão FC408662

Estado de coma 1902 – Subitamente – nenhuma doença antes, nenhuma febre, nenhum golpe na cabeça, nenhum desgosto – o menino Jorge Henrique Kuntz, de treze anos, residente no bairro

Semântica

VUNESP

Estado de coma

 

1902 – Subitamente – nenhuma doença antes, nenhuma febre, nenhum golpe na cabeça, nenhum desgosto – o menino Jorge Henrique Kuntz, de treze anos, residente no bairro da Floresta, em Porto Alegre, entra em coma. Ao menos este é o diagnóstico que formula o Doutor Schultz, médico da família, perplexo diante do estranho caso desse rapazinho que, nunca tendo tido uma doença grave, deitou-se e não mais acordou, apesar dos gritos, das súplicas, das cautelosas picadas de alfinete. É coma, diz o médico, e a família recusa-se a acreditar: o rosto rubicundo, o leve sorriso, a respiração tranquila – isto é coma? Isto é coma, doutor? – pergunta indignado Ignacio José Kuntz, marceneiro e faz-tudo, pai do menino. A mãe, Augusta Joaquina Kuntz, não pergunta nada, não diz nada; chora, abraçada aos outros filhos: as gêmeas, Suzana e Marlene, dois anos mais velhas que Jorge Henrique; e Ernesto Carlos, o caçula. O médico, confuso, apanha a maleta e se retira.

 

1938 – Morre o Doutor Schultz. Encontram entre seus papéis um caderno contendo uma descrição detalhada do caso de Jorge Henrique. As inúmeras interrogações dão prova da angústia do velho médico: até o fim, pesquisou, sem êxito, um diagnóstico.

 

1944 – Augusta Joaquina completa setenta e cinco anos. As vizinhas querem homenageá-la com uma festa, que ela recusa: não vê motivos para celebrações. Prefere ficar só, com seu filho. É que vê a morte se aproximar.

 

Vê a morte se aproximar e nada pode fazer. Mas não se preocupa: há meses vê, junto à cama de Jorge Henrique, um vulto de contornos indistintos, envolto numa aura de suave esplendor. É a este ser, ao anjo da guarda, que confiará o seu filho quando enfim partir.

 

Uma madrugada acorda sufocada, estertorando; é, reconhece, o velho coração que fraqueja. Soergue-se no catre, volta os olhos arregalados para o filho.

 

– Filho!

 

Não consegue levantar-se. Pega os cabelos dele com as mãos, trêmulas, leva-os ao rosto. Filho, murmura, vou para o céu, vou pedir por ti...

 

Morre.

 

Não fosse isto – a morte – teria visto Jorge Henrique abrir os olhos, sorrir, espreguiçar-se, dizer numa vozinha fraca de nenê: ai, gente, dormi um bocado.

 

(Moacyr Scliar, Os melhores contos. Adaptado)

 

 

 

Considere os trechos do texto:

 

• Subitamente [...] o menino Jorge Henrique Kuntz, de treze anos, [...] entra em coma. (1º parágrafo)

• ... pergunta indignado Ignacio José Kuntz, marceneiro e faz-tudo, pai do menino. (1º parágrafo)

• ... há meses vê, junto à cama de Jorge Henrique, um vulto de contornos indistintos... (4º parágrafo)

 

No contexto em que estão empregados, os termos destacados remetem, correta e respectivamente, aos sentidos:

  1. Fatalmente; abalado; ambíguos.
  2. Rapidamente; enfurecido; confusos.
  3. Repentinamente; revoltado; imprecisos.
  4. Fortuitamente; furioso; evidentes.
  5. Previsivelmente; consternado; invisíveis.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

No contexto do enunciado, Subitamente equivale a repentinamente: indica algo que ocorre de forma imediata e sem aviso, como o rapaz que "entra em coma" de um momento para outro.

Em seguida, indignado descreve o estado afetivo do pai, que reage com ira e ressentimento diante do diagnóstico; por isso o termo adequado é revoltado, que transmite essa sensação de protesto e desaprovação.

Por fim, indistintos qualifica os contornos do vulto visto pela mãe: não são precisos nem bem definidos, logo o termo equivalente é imprecisos, que sinaliza falta de nitidez ou definição.

Assim, os sentidos escolhidos — repentinamente, revoltado e imprecisos — refletem fielmente o uso de cada palavra no trecho.

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