Questão FC408684
Como chegamos a esse ponto?
Semântica
O debate de ideias no Brasil de hoje é marcado pela polarização. Em geral se crê que aquele que diverge não merece respeito nem ser ouvido. O adepto de determinada ideologia prefere o xingamento ou o recolhimento ao conforto de suas protegidas câmaras de reverberação nas redes sociais a se engajar em discussões civilizadas com adversários.
Muitos intelectuais se tornaram metralhadoras de “lacração” e xingamentos. Ontem mesmo no Twitter, um deles denunciou os organizadores de um painel sobre Previdência por terem escolhido apenas homens, brancos e ricos. O detalhe é que ele fez parte do painel e se incluía na descrição.
A essa grave acusação de preconceito, é inevitável que ocorram contestações similarmente histéricas, e assim caminha o debate público.
Como chegamos a esse ponto?
Em um artigo sobre intelectuais, F.A. Hayek explica que esses intermediários de ideias têm o poder de moldar a opinião pública. É uma classe formada por diversas categorias de profissionais e por reais especialistas em seu campo de atuação, que passam a ter espaço para opinar em assuntos nos quais são amadores.
Esses intelectuais não precisam ser particularmente inteligentes nem deter real conhecimento; basta que se familiarizem, previamente, com novas ideias adequadas a sua plateia e que sejam hábeis em prontamente opinar sobre temas variadíssimos.
Porém, a vanguarda intelectual se distanciou demais dos anseios do povo e a reação chegou. As massas não engolem os fetiches de que tudo é “construção social” em conflitos de poder, que culturas bárbaras e civilizadas são igualmente idôneas, que o globalismo político deve suplantar as nações, que “lugar de fala” serve como argumento.
E o povo quer emprego, saneamento, segurança, honestidade e não hermetismo de elite desconectada que se identifica melhor com cidadãos globais frequentadores da ONU e de congressos internacionais em universidades.
Hayek conclui seu artigo com a recomendação de que “precisamos de líderes intelectuais que resistam às bajulações e aos agrados do poder e que trabalhem por um ideal puro, por menor que seja a chance de sua efetiva realização”.
E eu complemento: não de deslumbrados por esse ou aquele governante.
(Helio Beltrão, Intelectuais que traem. Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br). Acesso em: 02.10.2019. Adaptado)
A relação de sentido de antonímia que existe entre “adepto” e “adversário” existe também entre
- diverge e destoa.
- bárbaras e civilizadas.
- vanguarda e liderança.
- suplantar e polarizar.
- contestações e réplicas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Antônimo é termo que expressa um sentido oposto a outro. Na oração proposta, busca-se uma dupla de vocábulos cujo significado seja diametralmente contrário.
A opção correta apresenta bárbaras e civilizadas. Bárbaro remete à ausência de civilização, costumes rudes ou falta de refinamento social; já civilizado descreve sociedades ou indivíduos marcados por normas, cultura e organização. Essas definições estabelecem uma relação direta de oposição.
Portanto, a alternativa é adequada porque reúne duas palavras cuja significação se confronta de forma clara e direta, atendendo ao pedido do enunciado.
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