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Questão FC408718

Leia o texto, para responder à questão. Meu bem, meu mal Na psicologia social, há uma definição de comportamento conhecida como “licença moral”. É o consentimento que autoriza as p

Semântica

VUNESP

Leia o texto, para responder à questão.

 

Meu bem, meu mal

 

Na psicologia social, há uma definição de comportamento conhecida como “licença moral”. É o consentimento que autoriza as pessoas que praticam uma boa ação a compensá-la com o avesso. Dito de outro modo: quando alguém está certo de ter feito o bem, com compaixão e generosidade, pode sentir-se liberado para fazer o mal, com posturas egoístas, preconceituosas, antiéticas e – que surpresa! – até corruptas. No mundo corporativo, em que se aplaudem as companhias que cultivam valores morais e éticos, com doações e responsabilidade social, os desvios costumam cair como baldes de água fria e decepção – e estão longe de representar uma raridade. “No Brasil, muitas das empresas que são investigadas em esquemas de corrupção têm o seu instituto e sua fundação com ações filantrópicas, mas ao mesmo tempo estão envolvidas em conluio setorial, cartel implícito ou formas de ganhar recursos de bancos públicos”, diz o professor Sérgio Lazzarini, colunista de VEJA.

 

Esse fenômeno acaba de receber amparo acadêmico. Um trabalho realizado pelos economistas John List e Fatemeh Momeni, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, põe em xeque a tese da benevolência como uma postura inquebrantável. O estudo revela que trabalhar para uma empresa socialmente responsável pode motivar os empregados a agir de forma exatamente oposta em outras searas. Eles se tornam irresponsáveis, mais propensos a trapacear. Para os autores, o gesto de bondade deflagra uma espécie de crédito para praticar desvios em outros contextos.

 

Mas, afinal de contas, todas as pessoas que doam trapaceiam? É atávico? Não necessariamente. A construção psicológica que diz que, “se fiz um bem, posso então relaxar e fazer algo errado” não é aplicada a todos, de modo incondicional. Há regras morais claras, muitas vezes jogadas para debaixo do tapete, mas que nunca deixam de incomodar, silenciosamente. Diz a psicóloga e professora Denise Ramos: “Nenhum corrupto é inconsciente. A pessoa sempre sabe o que está fazendo”. O nó, descoberto pelos professores de Chicago, é que, numa brincadeira com o batido adágio, assim como não há mal que dure para sempre, também não há bem que se eternize. É uma pena. Mas é humano, demasiadamente humano.

 

(Natália Cuminale. Veja, 07.03.2018. Adaptado)

 

Assinale a alternativa na qual se apresentam, nos colchetes e respectivamente, um sinônimo e um antônimo da palavra destacada no trecho do texto.

  1. … pessoas que praticam uma boa ação compensá-la com o avesso. [oposto; diverso]
  2. … acaba de receber amparo… [aporte; sustento]
  3. … a tese da benevolência como uma postura inquebrantável. [inflexível; persistente]
  4. … não é aplicada a todos, de modo incondicional. [limitado; imperioso]
  5. … envolvidas em conluio setorial, cartel implícito… [inevidente; manifesto]
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A opção E é correta porque relaciona adequadamente o sentido de IMPLÍCITO no trecho.

IMPLÍCITO significa algo subentendido, não declarado ou não evidente; por isso é sinônimo de inevidente. Usando a palavra no contexto, "cartel implícito" indica acordos tácitos, práticas ocultas ou combinadas sem registro formal.

Como antônimo, manifesto descreve o oposto: aquilo que é claro, expresso e perceptível — um cartel manifesto seria público, óbvio ou declarado, ao contrário do que se descreve no texto.

Portanto, inevidente (sinônimo) e manifesto (antônimo) reproduzem fielmente a oposição semântica requerida pelo enunciado.

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