Questão FC408733
Agora, esgotados os mais aflitos, autoridades sanitárias têm tido dificuldade para fazer com que o contingente mais desencanado da população se vacine. Pelos dados oficiais, apenas
Semântica
Medo de injeção
Descartes disse que o bom senso é a coisa mais bem repartida do mundo. Descartes estava errado também nisso. Visto que não faltam provas empíricas de que o bom senso não foi tão bem repartido assim.
Um caso eloquente é o da vacinação contra a febre amarela em São Paulo. Assim que as notícias sobre o recrudescimento do surto ganharam destaque, a porção mais ansiosa dos paulistas correu aos postos de saúde, provocando megafilas e espalhando um pouco de caos no sistema.
Agora, esgotados os mais aflitos, autoridades sanitárias têm tido dificuldade para fazer com que o contingente mais desencanado da população se vacine. Pelos dados oficiais, apenas 50% do público-alvo foram imunizados. Por que a resistência?
Minha hipótese é que ficamos mal-acostumados. Algumas décadas com um razoável arsenal de vacinas à disposição nos fizeram esquecer quão letais e devastadoras podem ser as epidemias que campanhas de imunização previnem. Hoje é preciso ir ao interior da África para ver uma criança com pólio e as mortes por sarampo se tornaram uma raridade, mas moléstias infecciosas foram, desde o surgimento da agricultura, um dos maiores assassinos da humanidade, perdendo apenas para a fome e superando em muito as guerras.
A ciência, ao desenvolver imunizantes, mudou essa história. Extinguimos a varíola e reduzimos drasticamente os óbitos por doenças infecciosas em todo o mundo. A OMS estima que, hoje, vacinações previnam entre 2 milhões e 3 milhões de mortes por ano. Daria para acrescentar mais 1,5 milhão de vidas poupadas, desde que a taxa de cobertura, atualmente estacionada nos 86%, melhorasse.
Por falta de bom senso, porém, grupos ideologicamente tão díspares quanto fundamentalistas islâmicos do interior da África e liberais da classe média alta dos países desenvolvidos uniram esforços para fazer campanhas contra a vacinação. Pior, há quem os ouça.
(Helio Schwartsman. Medo de injeção. Disponível em: https://
www1.folha.uol.com.br/colunas/ Acesso em 10.03.2018. Adaptado)
Considere os seguintes trechos do texto:
“Um caso eloquente é o da vacinação contra a febre amarela em São Paulo”.
“Assim que as notícias sobre o recrudescimento do surto ganharam destaque,...”
Os termos em destaque nas frases podem ser corretamente substituídos, sem alteração do sentido, por
- convincente, agravo
- conciso, contenção
- sucinto, restrição
- elucidado, limitação
- expressivo, diminuição
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Gabarito
A
Comentário do professor
Na frase “Um caso eloquente é o da vacinação...”, eloquente indica algo que expressa bem, que convence ou persuade. Assim, a substituição por convincente mantém o sentido: trata-se de um exemplo que demonstra claramente o ponto defendido.
Em “Assim que as notícias sobre o recrudescimento do surto...”, recrudescimento designa a intensificação ou agravamento de um problema de saúde pública. Portanto, trocar por agravo preserva o significado, pois ambos se referem ao aumento da gravidade ou da extensão do surto.
Em resumo, as palavras escolhidas — convincente e agravo — são sinônimos adequados, preservando o conteúdo e o tom informativo do trecho original.
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