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Questão FC408747

(In)Civilidade no trânsito A maneira como dirigimos serve de medida para nossas virtudes cívicas – uma literal exposição do nosso compromisso com as “regras do caminho”. No Brasil,

Semântica

VUNESP

(In)Civilidade no trânsito


A maneira como dirigimos serve de medida para nossas virtudes cívicas – uma literal exposição do nosso compromisso com as “regras do caminho”. No Brasil, entretanto, é uma expressão dos nossos piores vícios: cerca de 47 mil pessoas são mortas a cada ano em acidentes de trânsito, um dos maiores pedágios do mundo.


A civilidade que demonstramos nas estradas e ruas das cidades vem em pequenos atos. No entanto, é a incivilidade que percebemos nas rodovias brasileiras.


Assim como na violência letal, há várias partes envolvidas no problema da violência no trânsito e que também precisam estar na solução. O bom planejamento de estradas, das sinalizações e fiscalizações de velocidade precisa ser uma prioridade dos distintos níveis de governo. É fundamental investir em pesquisas e campanhas inovadoras de mudança de atitude de quem está ao volante. E arrisco dizer que as regras para tirar a carteira de motorista e a educação para o trânsito devem ser repensadas. O processo ficou mais longo e caro sem resultar em mais segurança. Não é com burocracia e decoreba de regras que vamos conscientizar nossos cidadãos para que deixem de usar carros como armas letais. Não conheço estudos no Brasil que busquem uma correlação entre o estresse do trânsito e o nível de violência em nossa sociedade. Seria interessante olhar mais de perto essa questão. Entender em que parte dela melhor se encaixa o comportamento violento do brasileiro no trânsito ou o quanto o estresse ocasionado pelas condições de nosso trânsito nos torna mais violentos no dia a dia.


Acima de tudo, como dirigimos é, de certa forma, um reflexo do nosso compromisso democrático mais amplo. O modelo atual de dependência excessiva dos carros em detrimento dos espaços dos pedestres e de um bom transporte público prioriza a elite e aprofunda a nossa desigualdade. Somos uma sociedade em busca do interesse público – respeito entre os cidadãos, valorização do transporte coletivo e dos pedestres? Ou somos uma sociedade que só preza por interesses individuais e familiares, driblando as regras e acelerando por nossos interesses privados? Isso, condutores, é uma questão que cada um de nós deve começar a considerar.


(Ilona Szabó de Carvalho. Folha de S.Paulo, 01.08.2018. Adaptado)

 

Considere a passagem a seguir:


• Acima de tudo, como dirigimos é, de certa forma, um reflexo do nosso compromisso democrático mais amplo. O modelo atual de dependência excessiva dos carros em detrimento dos espaços dos pedestres…


No contexto em que são empregadas, as expressões em destaque são sinônimos, respectivamente, de

  1. um questionamento; em concorrência com os.
  2. uma reprodução; em prejuízo dos.
  3. um desvinculamento; em descaso com os.
  4. uma incerteza; em consequência dos.
  5. uma incidência; em reparação dos.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Um reflexo, no contexto, não é algo literal, mas uma reprodução ou manifestação: a maneira de dirigir expressa, espelha e replica o grau de compromisso democrático da sociedade. Em outras palavras, o comportamento no trânsito funciona como um reflexo social — uma reprodução das atitudes e valores coletivos.


Em detrimento transporta a ideia de sacrifício ou prejuízo: algo ocorre em prejuízo dos espaços dos pedestres quando a dependência do carro reduz, prejudica ou sacrifica esses espaços. Trata‑se, portanto, de priorização que causa dano ou perda a outra parcela urbana.


Assim, as expressões destacadas equivalem, respectivamente, a uma reprodução e em prejuízo dos, conforme indica a alternativa correta.

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