Questão FC408748
O inolvidável* Não é muito confortável ficar ao lado de grandes corporações, mas não vejo como não apoiar a tese do Google de que o Tribunal de Justiça da União Europeia (UE) não p
Semântica
O inolvidável*
Não é muito confortável ficar ao lado de grandes corporações, mas não vejo como não apoiar a tese do Google de que o Tribunal de Justiça da União Europeia (UE) não pode impor o tal do direito ao esquecimento ao serviço de busca em nível mundial.
Comecemos pelo polêmico direito ao esquecimento, que vem sendo reconhecido por alguns tribunais, em especial os europeus. É fácil simpatizar com o adolescente que fez um comentário inadequado na rede e não quer que o lapso o assombre para sempre. Também dá para ser solidário com a vítima de um crime que não deseja que sua identidade passe a ser definida por esse acontecimento traumático.
É muito complicado, porém, dar a cada indivíduo o poder de determinar o que pode ou não ser dito a seu respeito. Fazê-lo representaria um embaraço forte demais às liberdades de expressão.
A prevalecer uma versão forte do direito ao esquecimento, um artista vaidoso poderia mandar apagar as críticas negativas à sua obra; um político desonesto poderia fazer sumir os registros das condenações que sofreu. Na ausência de critérios inequívocos sobre o que é aceitável descartar da memória coletiva, é melhor não conceder a ninguém o direito de editar o passado.
O que me preocupa mais nessa história não é, porém, o mérito do direito ao esquecimento, mas a pretensão da Justiça europeia de que suas decisões se apliquem fora das fronteiras da União Europeia. O risco aí é o de totalitarismo. Não convém conceder a nenhum Estado, por mais democrático que seja, o poder de impor suas leis a todo o planeta.
Em algum grau os EUA já fazem isso, ao reclamar para si jurisdição sobre todas as transações financeiras que envolvam o dólar, independentemente do local do crime ou da nacionalidade dos delinquentes. Não penso, porém, que essa atitude deva ser imitada ou aceita. O ideal seria que o poder de cada Estado ficasse restrito a suas fronteiras.
(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo. 22.09.2018. Adaptado)
* inolvidável: não olvidável; que não pode ser esquecido.
Considere a seguinte passagem do texto:
• Na ausência de critérios inequívocos sobre o que é aceitável descartar da memória coletiva, é melhor não conceder a ninguém o direito de editar o passado.
Os termos destacados na passagem têm sentido contrário expressos, respectivamente, em:
- indiferentes; impossível; facultar.
- inconsistentes; realizável; outorgar.
- incertos; inadmissível; rejeitar.
- inacabados; inquestionável; isentar.
- indiscutíveis; alegável; contestar.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A opção correta é a letra C, que apresenta, respectivamente, os sentidos contrários de inequívocos, aceitável e conceder: incertos; inadmissível; rejeitar.
Inequívocos significa claros, evidentes, sem dúvida; seu oposto natural é incertos, que indica falta de clareza ou dúvida, coerente com o contexto ("na ausência de critérios ...").
Aceitável quer dizer admissível ou tolerável; o contrário é inadmissível, ou seja, algo que não pode ser aceito. Aqui o autor discute o que seria descartável da memória coletiva.
Conceder tem sentido de permitir ou outorgar; seu antônimo adequado no enunciado é rejeitar, isto é, negar a outorga do direito de "editar o passado".
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