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Questão FC408757

Dar à luz Todos sabem que a luz é um dos componentes indispensáveis para que haja vida. Além de ser um fenômeno físico, a luz e sua importância são elementos simbólicos utilizados,

Semântica

VUNESP

Dar à luz


Todos sabem que a luz é um dos componentes indispensáveis para que haja vida. Além de ser um fenômeno físico, a luz e sua importância são elementos simbólicos utilizados, há séculos, por religiões, por estudiosos e pela cultura popular, como forma de ilustrar momentos de transição importantes vivenciados pela humanidade.


Culturalmente, a luz assume uma representação tão marcante quanto para a ciência e a tecnologia. Isso porque, em muitas nações, ela simboliza a própria vida. Não é por acaso que a expressão “dar à luz” representa um momento de celebração, de extrema felicidade, traduzindo o momento em que é dada ao homem a oportunidade de deixar o escuro do útero e passar a experimentar a luz do mundo, a luz que passará a ser a chama de sua própria existência.


“Trazer à luz” ou “lançar luz” acerca de um determinado assunto são expressões há muito utilizadas por estudiosos. Essas expressões significam a possibilidade de, por meio do conhecimento, da razão, compreender melhor e encontrar respostas para questões que, até então, o homem sem conhecimento não conseguiria enxergar, uma vez que estaria mergulhado nas trevas da ignorância. Por volta do ano400 a.C., Platão relacionaria a luz ao conhecimento. Para o filósofo, a percepção do mundo exterior, à luz do sol, correspondia ao conhecimento produzido pelo intelecto, à luz da razão.


Por outro lado, é comum encontrar textos que se referem a parte da Idade Média como a idade das trevas, um período em que se utilizava da fé como mecanismo de controle, de imposição. E, ao fazer isso, os homens, não Deus, impediam o desenvolvimento cultural e a liberdade intelectual. Desde a Idade Média, governantes utilizam-se da conhecida estratégia de mergulhar a sociedade na ignorância para poder doutriná-la mais facilmente.


O acesso à liberdade intelectual passaria a ser conquistado graças a um movimento filosófico que surgiu na Europa, no século XVIII, movimento esse que ficou conhecido como Iluminismo. Novamente, o homem escolheria a luz para representar a única forma de trazer novas alternativas para que a humanidade pudesse sair das trevas.


Infelizmente, nem o Iluminismo nem qualquer outra tentativa de conter os períodos de obscuridade impediram que esta continuasse, de forma voraz e persistente, a assombrar os homens. As trevas ressurgem a cada dia nas guerras, na fome, na intolerância, no ódio, no preconceito, na corrupção e em outras formas que, talvez, a humanidade ainda desconheça.


Portanto, para os que não desejam viver na escuridão, a única opção é manter a chama do conhecimento acesa.


(Ademar Pereira dos Reis Filho. Diário da Região, 22.04.2018. Adaptado)

 

 

A relação de sentido de antonímia que existe entre “luz” e “treva” está presente também entre as palavras dos pares

  1. extrema e radical; persistente e volúvel.
  2. liberdade e servidão; intolerância e condescendência.
  3. razão e desrazão; fé e crédito.
  4. mergulhado e submerso; ignorância e ciência.
  5. preconceito e xenofobia; voraz e inapetente.
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Gabarito

B

Comentário do professor

O fenômeno da antonímia refere-se a palavras cujo sentido é oposto. No texto, luz e treva funcionam como antônimos, e a alternativa correta traz dois pares que reproduzem esse tipo de oposição.

Liberdade versus servidão:
“Liberdade” indica autonomia, independência e possibilidade de escolha; “servidão” descreve submissão ou privação dessa autonomia. São sentidos claramente contrastantes, como luz e escuridão.

Intolerância versus condescendência:
“Intolerância” exprime inflexibilidade e recusa a opiniões divergentes; “condescendência” denota indulgência, compreensão e disposição a aceitar o outro. Novamente, há incompatibilidade semântica entre os termos.

Portanto, os pares apresentados na alternativa espelham a relação antônima destacada no texto, alinhando-se ao contraste entre conhecimento (luz) e ignorância (treva).

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