Questão FC408763
Leia o poema de Carlos Pena Filho para responder a questão. A solidão e sua porta Quando mais nada resistir que valha a pena de viver e a dor de amar e quando nada mais interessar
Semântica
Leia o poema de Carlos Pena Filho para responder a questão.
A solidão e sua porta
Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha).
Quando pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha
a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida
com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.
(Livro geral. Olinda: Gráfica Vitória, 1977)
São empregadas com sentidos equivalentes, no poema, as palavras:
- despedida; mundo.
- silêncio; batalha.
- sono; saída.
- sombra; vida.
- provisório; transitório.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Provisório e transitório aparecem no poema com o mesmo valor semântico: ambos indicam aquilo que tem duração limitada, que não é permanente.
No trecho "com tudo que é insolvente e provisório" e em seguida "entrar no acaso e amar o transitório", percebe-se que transitório retoma e reforça a ideia já expressa por provisório. Trata‑se de um recurso coesivo por repetição lexical parcial, que evita redundância literal mantendo a mesma noção.
Além da equivalência de sentido, essa retomada funciona poeticamente: sublinha o tema da efemeridade e orienta a atitude do sujeito poético — aceitar o temporal, arriscar‑se no acaso e apreciar o que é passageiro.
Assim, a escolha de provisório; transitório é a correta porque os termos são sinônimos no contexto do poema e exercem função anafórica/cohesiva.
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