Questão FC408769
Novos tempos, novos olhares O individualismo tem pautado a sociedade atual em uma posição que contraria os valores humanos, principalmente contra a prática dos princípios eleitos p
Semântica
Novos tempos, novos olhares
O individualismo tem pautado a sociedade atual em uma posição que contraria os valores humanos, principalmente contra a prática dos princípios eleitos por muitos como filosofia de vida, entre eles o amor, a paz, a justiça, a liberdade, a harmonia, a honestidade, a igualdade e tantos outros. O discurso sobre a crise dos valores repete-se periodicamente, e todas as gerações tendem a ver nas posteriores uma degradação e rebaixamento dos padrões. Com essa não é diferente. O mundo moderno que sofre com o confronto entre o conservador e o inovador, o público e o particular, ainda em discordância, para muitos parece estar de ponta-cabeça.
Segundo Wilson Bragança, especialista em Sociologia, Economia e Políticas Públicas, ao que parece, na nossa sociedade, os comportamentos, as normas e o sentido global da vida individual e comunitária não se inspiram em padrões éticos de valores, mas sim em critérios imediatistas, consumistas, hedonistas, pragmáticos. As pessoas – afirma – preferem o imediato, o prazer sem consequências e tudo o que for mais fácil.
O polonês Zygmunt Bauman, um dos pensadores mais importantes e populares do fim do século 20, que cunhou a expressão “modernidade líquida”, escreveu que as formas de vida contemporâneas se assemelham pela vulnerabilidade e fluidez, incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo, o que reforça um estado frágil e temporário nas relações sociais e nos laços humanos.
A faceta preocupante da crise de valores está no fato de nós sermos cada vez mais incapazes de enfrentar o problema. Temos uma grande dificuldade em falar dos valores porque se instalou entre nós a ideia de que, numa democracia, não há valores impessoais ou suprapessoais: cada um escolhe os seus valores, um pouco como os seus gostos, e, obviamente, todos aprendemos que os gostos não se discutem.
“Viver numa democracia, dizem-nos, é aceitar todos os valores, reconhecer igual direito à expressão de todos eles e, mais do que isso, reconhecer a todos igual consideração e respeito; mas as profundas alterações econômicas, científica-se tecnológicas não apenas estimulam o abandono dos valores tradicionais, elas parecem ter conduzido a humanidade para um vazio deles”, afirma Bragança.
(Gisele Bortoleto. Revista Be bem-estar, 22.07.2018. Adaptado)
A relação de oposição de sentido que há entre os pares de termos destacados na passagem – O mundo moderno que sofre com o confronto entre o conservador e o inovador, o público e o particular … – está presente também entre os pares
- harmonia e desacordo, imediatistas e midiáticos.
- posteriores e simultâneos, degradação e humilhação.
- rebaixamento e enaltecimento, pragmáticos e objetivos.
- frágil e resistente, temporário e permanente.
- fluidez e fluência, vulnerabilidade e resistência.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa frágil e resistente, temporário e permanente apresenta pares de sentido oposto que espelham a oposição proposta no texto entre tendências antagônicas (como o conservador e o inovador).
O termo frágil corresponde diretamente à ideia de vulnerabilidade e fluidez explicitada por Bauman: relações instáveis, frágeis e suscetíveis a mudanças. Seu oposto, resistente, reúne a noção contrária de solidez e capacidade de sustentar laços sociais.
De modo análogo, temporário retoma a afirmação de que a identidade e as formas de vida são transitórias (“incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo”), enquanto permanente contrapõe essa transitoriedade por indicar durabilidade e continuidade.
Assim, esses pares reproduzem a oposição semântica central do texto — instabilidade versus estabilidade — e por isso a alternativa é a correta.
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