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Questão FC408799

O grave não é que supremacistas brancos tenham conseguido fazer uma manifestação nos EUA, mas sim que o presidente do país, que deveria atuar como uma espécie de bússola nas grande

Semântica

VUNESP

A questão baseia no texto apresentado abaixo.

 

Um dos problemas que democracias enfrentam é o de como lidar com aqueles que negam seus princípios elementares, mas não chegam a conspirar para dar um “putsch”*. Entra nessa categoria a manifestação orquestrada por supremacistas brancos em Charlottesville, na Virgínia.

 

Não há como conciliar uma ideologia francamente racista, como a defendida pelos organizadores da marcha, em que se viam suásticas e se gritavam slogans contra negros, com a noção, nuclear para a democracia, de que os direitos de minorias precisam ser sempre respeitados. Mas usar a lei para silenciar esses grupos também não é uma solução satisfatória, pois viola outro pressuposto essencial da democracia, a liberdade de expressão. Como sair do paradoxo? Quão tolerante a democracia deve ser com os intolerantes?

 

Penso que os americanos lidam bem com esse tipo de situação. Os EUA são um dos poucos países que levam a liberdade de expressão realmente a sério, permitindo que qualquer grupo exponha qualquer ideia e mobilize seus simpatizantes para defendê-la. E “qualquer” aqui não é força de expressão. Nos anos 70, a Suprema Corte ratificou o direito de um grupo nazista de realizar uma passeata em Skokie, cidade habitada por vários sobreviventes do Holocausto.

 

Como a democracia nos EUA nunca foi seriamente ameaçada por grupos extremistas domésticos, não dá para dizer que a virtual sacralização da liberdade de expressão pelos tribunais seja um tiro no pé. Fica claro, porém, que o país se vale de outros mecanismos (sociais) para manter o radicalismo sob controle. É aqui que surgem motivos para preocupação.

 

O grave não é que supremacistas brancos tenham conseguido fazer uma manifestação nos EUA, mas sim que o presidente do país, que deveria atuar como uma espécie de bússola nas grandes questões morais, tenha relutado tanto em condenar o evento racista de forma inequívoca. (Hélio Schwartsman, Tolerar a intolerância? 

http://www1.folha.uol.com.br. 15.08.2017. Adaptado)

*putsch: golpe.

 

Considere as seguintes passagens: … a Suprema Corte ratificou o direito de um grupo nazista de realizar uma passeata em Skokie… … não dá para dizer que a virtual sacralização da liberdade de expressão… As palavras destacadas têm, respectivamente, como sinônimo e antônimo adequados ao contexto:

  1. anulou e destituição.
  2. cerceou e beatificação.
  3. avaliou e entronização.
  4. monitorou e maculação.
  5. validou e profanação.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

"… a Suprema Corte ratificou o direito…" significa que o tribunal confirmou ou validou esse direito. Aqui validou é sinônimo preciso de ratificou, pois ambas indicam aprovação ou reconhecimento jurídico de uma prerrogativa.

"… a virtual sacralização da liberdade de expressão…" refere‑se à ação de tornar algo sagrado ou intocável. O antônimo adequado é profanação, que designa a ação de desrespeitar, violar ou dessacralizar aquilo que se considera sagrado.

No contexto do texto, portanto, as palavras destacadas desempenham funções opostas: validou esclarece a aceitação judicial de um direito, e profanação contrapõe‑se a sacralização, indicando a perda ou violação do caráter sagrado atribuído à liberdade de expressão.

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