Questão FC408861
Entre Fromm-Reichmann e Storr, uma pergunta: a solidão é um transtorno de nossa sociabilidade supostamente “natural”? Ou, então, nossa sociabilidade apenas manifestaria outro trans
Semântica
Sozinhos ou solitários?
Mundo afora, um número crescente de pessoas moram sozinhas. Essa informação é quase sempre veiculada como sinal de alguma decadência urbana ou de uma espécie de patologia contemporânea.
Os anos 1960 promoveram a vida em sociedade. Logo em 1959, uma psicanalista, Frieda Fromm-Reichmann, admitia que é possível ser solitário sem sequer se sentir sozinho, mas o que ficou a partir de então é que a solidão estaria na origem de todo tipo de sofrimento e de transtorno mental. Trinta anos mais tarde, já se constatava (ou se acreditava?) que a solidão encurtaria a vida do solitário.
Enfim, é normal que a gente esteja e se sinta sozinho, mas resta saber se essa sensação é ruim para a saúde. Uma leitura sistemática de 148 pesquisas publicadas mostra que a falta de relações sociais fortes é um fator de mortalidade parecido com o fumo ou o álcool e maior que a inatividade física e a obesidade.
Claro, os pesquisadores sabem que não é simples definir a solidão. Também sabem que muitos fumam, bebem, comem e ficam deitados vendo TV justamente porque estão sozinhos – o que faz que seja complicado descobrir qual é o verdadeiro fator de risco. De qualquer forma, para os autores, fica estabelecido que a solidão encurta a vida.
Nos últimos 15 anos, apareceu uma nova questão: será que o uso da internet é uma causa ou um efeito da solidão que ameaçaria nossas vidas?
Ao longo dessas décadas tão propensas a idealizar a convivência social, houve a voz discordante de Anthony Storr, outro psicanalista, que, em 1988, lembrou que, para alguns, ficar sozinho pode ser um jeito de se curar – não adoecer.
Entre Fromm-Reichmann e Storr, uma pergunta: a solidão é um transtorno de nossa sociabilidade supostamente “natural”? Ou, então, nossa sociabilidade apenas manifestaria outro transtorno, que é o medo de ficarmos sozinhos conosco?
(Contardo Calligaris. www.folha.uol.com.br/colunas/
contardocalligaris/ 2015/04/1622746-sozinhos-ou-solitarios.shtml, 30.04.2015. Adaptado)
O segmento destacado em – Ao longo dessas décadas tão propensas a idealizar a convivência social… – está corretamente substituído, com o sentido preservado, por:
- inclinadas a.
- refratárias a.
- condicionadas de.
- obstinadas de.
- suscetíveis de.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Ao longo dessas décadas tão inclinadas a idealizar a convivência social…
O adjetivo inclinadas é sinônimo de propensas, ambos indicam uma tendência ou predisposição. Assim, a expressão mantém o mesmo sentido da original: décadas que tendem a idealizar a vida em comunidade.
Sintaticamente, inclinadas exige a preposição "a" para introduzir o verbo no infinitivo que funciona como complemento ("idealizar"). A construção "inclinadas a idealizar" é, portanto, correta e natural.
Além disso, há concordância entre o substantivo plural "décadas" e o adjetivo no plural "inclinadas", preservando coesão e sentido. Por isso, a forma indicada é adequada e mantém o significado do trecho original.
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